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Real Oncologia

Uso de tratamento oncológico sistêmico no final da vida

Comentado por Dra. Samara Aquino*

                O uso de tratamento oncológico sistêmico (TOS) no final da vida (FDV) é um importante ponto para se analisar a qualidade dos cuidados paliativos prestados a pacientes com câncer, pois esse tipo de intervenção é associada com aumento do uso de cuidados intensivos, atraso nas metas de conversas sobre cuidado, internamento tardio em um hospice, maiores custos e possivelmente efeitos adversos na qualidade e duração de vida. Em 2012 a ASCO (American Society of Clinical Oncology) e NQF (National Quality Forum) desenvolveram uma “medida de qualidade” de Proporção de Pacientes Recebendo Quimioterapia nos Últimos 14 Dias de Vida, visando reduzir o uso de quimioterapia e uma integração de cuidados paliativos mais precoce no FDV.

Desde 2012 o TOS tem mudado devido a aprovação de múltiplas terapias alvo. Estudos recentes têm mostrado um aumento do uso de imunoterapia no FDV em pacientes com câncer urotelial metastático, câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) e melanoma, a despeito da ausência de evidência que esta prática seja associada a melhora nos desfechos.

Esta análise avaliou padrões de TOS próximo ao FDV em todos as mortes por câncer, nos Estados Unidos, no período de 2015 a 2019, usando o banco de dados da Flatiron Health. O desfecho primário foi uso de TOS em 30 e 14 dias antes da morte. Ao longo do período do estudo a taxa de uso de TOS dentro de 30 dias antes da morte em todos os tipos de câncer não mudou (39% em 2015 e 2019), com padrões similares dentro de 14 dias antes da morte (17% em 2015 e 2019).

Contudo, o tipo de terapia recebida mudou. Foi encontrado uma queda no uso de quimioterapia isolada (26% em 2015; 16% em 2019) e aumento no uso de imunoterapia (5% em 2015; 18% em 2019). Estes resultados foram mais perceptíveis no CPNPC e câncer urotelial avançados, onde foram observados um aumento na taxa de uso de TOS próximo ao FDV associado a um uso mais frequente de inibidores de checkpoint. Câncer de mama metastático, carcinoma de células renais e câncer colorretal tiveram uma queda discreta no uso de TOS no FDV, porém quase não houve mudança no câncer de pâncreas.

Embora a taxa do uso de quimioterapia tenha caído de acordo com as metas da ASCO e NQF, o uso de terapias alvo pode ter interferido com o alcance das metas de integração precoce de cuidados paliativos e redução no uso de cuidados intensivos. Um outro estudo sugere que qualquer TOS no FDV, incluindo imunoterapia, está associado a taxas mais altas de cuidados intensivos, atraso no início de cuidados paliativos e aumento de custos.

Por fim, os autores concluem que o estudo tem diversas limitações, mas levanta a necessidade de futuras pesquisas mais robustas a respeito deste importante tema.

Referência:

Maureen E CanavanXiaoliang WangMustafa S Ascha, et al. Systemic Anticancer Therapy at the End of Life— Changes in Usage Pattern in the Immunotherapy Era. JAMA Oncol 2022 Dec 1;8(12):1847-1849.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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