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Real Oncologia

HERIZON-GEA-01: Zanidatamabe + tislelizumabe + quimioterapia no câncer gastroesofágico HER2-positivo

*Comentado pela Dra. Samara Aquino

O estudo HERIZON-GEA-01 avaliou pacientes com adenocarcinoma gastroesofágico metastático HER2-positivo sem tratamento prévio, comparando zanidatamabe + tislelizumabe + quimioterapia versus trastuzumabe + quimioterapia. O zanidatamabe é um anticorpo monoclonal biespecífico anti-HER2 que se liga simultaneamente a dois domínios distintos do receptor, promovendo bloqueio mais completo da via de sinalização e maior atividade antitumoral. Já o tislelizumabe é um anticorpo anti-PD-1 desenvolvido para potencializar a resposta imune antitumoral, com uma região Fc modificada que reduz a interação com macrófagos e pode preservar a atividade dos linfócitos T.

Na análise primária do estudo, a combinação experimental demonstrou ganho significativo em sobrevida livre de progressão (SLP), com mediana de 12,4 versus 8,1 meses (HR 0,63; IC95% 0,51–0,78; p<0,0001), além de benefício em sobrevida global (SG), com mediana de 26,4 versus 19,2 meses (HR 0,72; IC95% 0,57–0,90; p=0,0043). Esse é um resultado particularmente relevante por representar a primeira vez que um estudo de primeira linha em doença gastroesofágica HER2-positiva ultrapassa a marca de 24 meses de sobrevida global mediana, estabelecendo um novo patamar de eficácia nesse cenário.

Nesta apresentação da ASCO 2026 foi realizada uma análise exploratória para avaliar se esse benefício era influenciado pela expressão de PD-L1, utilizando tanto o Tumor Area Positivity (TAP) quanto o Combined Positive Score (CPS). Observou-se que o benefício em SLP foi consistente em todos os subgrupos avaliados, independentemente da expressão de PD-L1 ou da metodologia empregada. Pacientes com TAP ≥1% apresentaram SLP mediana de 11,3 versus 8,3 meses (HR 0,65), enquanto aqueles com TAP <1% alcançaram 18,5 versus 7,9 meses (HR 0,47). Resultados semelhantes foram observados quando a análise foi realizada pelo CPS, com HR de 0,62 para CPS ≥1 e de 0,48 para CPS <1.

A análise de SG também mostrou benefício consistente em todos os subgrupos. Entre pacientes com TAP ≥1%, a SG mediana foi de 26,4 versus 21,2 meses (HR 0,82), enquanto no grupo TAP <1% foi de 29,7 versus 15,8 meses (HR 0,49). Pela classificação por CPS, a SG mediana foi de 26,4 versus 20,8 meses (HR 0,82) para CPS ≥1 e de 30,3 versus 15,7 meses (HR 0,42) para CPS <1, reforçando que a eficácia foi mantida independentemente da expressão de PD-L1.

As análises de concordância demonstraram elevada correlação entre TAP e CPS para classificação de tumores PD-L1 positivos e negativos, sugerindo que ambas as metodologias podem ser utilizadas para estratificação dos pacientes.

Em relação à segurança, o esquema contendo zanidatamabe e tislelizumabe apresentou maior incidência de toxicidades quando comparado ao tratamento padrão, refletindo a adição de um anticorpo biespecífico anti-HER2 e de um inibidor de PD-1. Houve aumento na frequência de eventos adversos grau 3/4 relacionados ao tratamento (41% versus 20%), eventos adversos imunomediados (38% versus 10%), pneumonite não infecciosa (7% versus 1%) e disfunção ventricular esquerda (9% versus 4%). Apesar desse aumento de toxicidade, o perfil de segurança foi considerado manejável, sem identificação de novos sinais de segurança, sendo consistente com o perfil já conhecido de cada uma das medicações.

Esses resultados reforçam que a combinação de zanidatamabe + tislelizumabe + quimioterapia representa uma nova opção de primeira linha para pacientes com adenocarcinoma gastroesofágico metastático HER2-positivo, proporcionando benefício significativo em SLP e SG, com sobrevida global mediana superior a 24 meses e eficácia consistente independentemente da expressão de PD-L1.

Riho SY, et al. HERIZON-GEA-01. ASCO Annual Meeting 2026. Rapid Oral Abstract 4010. 

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