*Comentado por Dra. Carolina Cavalcanti Gonçalves Ferreira
O uso concomitante de estatinas e imunoterapia continua sendo um assunto em investigação quanto ao impacto da combinação no prognóstico de pacientes oncológicos.
A reprogramação metabólica lipídica é sabidamente um mecanismo de crescimento tumoral do câncer, potencialmente gerando evolução e viabilidade das células cancerígenas. Células estromais e imunes dentro do microambiente tumoral também exibem metabolismo lipídico alterado, influenciando as respostas imunes. Dado o papel crucial do metabolismo lipídico na condução da progressão do câncer e modulação do microambiente tumoral, o direcionamento terapêutico das vias metabólicas lipídicas é uma estratégia promissora para o tratamento oncológico.
As estatinas são medicações inibidoras da hidroximetil glutaril A redutase coenzima A e previnem eventos cardiovasculares, conforme evidências endossadas pelos renomados órgãos americanos: “American Heart Association” (AHA) e a “US Preventive Services Task Force” (USPSTF).
A metanálise “Uso de estatinas e desfechos de sobrevida em pacientes oncológicos em tratamento com Imunoterapia” avaliou 25 estudos retrospectivos, envolvendo 46.154 pacientes com câncer em imunoterapia, sugerindo possibilidade de maior sobrevida global (Hazard ratio 0.8 – Intervalo de confiança 95% 0.71 – 0.92) com uso concomitante de estatinas.
A metanálise incluiu estudos que abrangeram uma ampla gama de diagnósticos oncológicos, com oito estudos centrados em câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC), um estudo em carcinoma urotelial, outro em melanoma, três em carcinoma de células renais (RCC) e 12 estudos com tratamento agnóstico.
Os regimes de imunoterapia consistiram em monoterapia com agentes anti–PD-(L)1 ou anti CTLA4 (anti–linfócitos T citotóxicos associados ao antígeno 4), bem como suas respectivas combinações, como tratamento de primeira linha ou posteriores. A qualidade dos 15 estudos incluídos nesta metanálise foi avaliada como alta em 15 estudos e moderada nos outros 10, embora com moderada heterogeneidade.
Como conclusão, a metanálise revelou que a administração de estatinas nos pacientes em tratamento com imunoterapia resultou em 20% de redução no risco de progressão da doença ou morte, comparado aos pacientes sem o uso das estatinas.
É um estudo gerador de hipóteses e é imprescindível que ensaios clínicos randomizados sejam realizados para validar o efeito do uso de estatinas no âmbito da terapia com inibidores de checkpoint imune.
Revista de publicação: JCO – Journal of Clinical Oncology
Data de publicação do artigo: 07/01/2025
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