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Real Oncologia

TROPION-Lung01: Datopotamabe-Deruxtecana versus Docetaxel no Tratamento de Câncer De Pulmão De Células Não Pequenas em Cenário Avançado ou Metastático

*Comentado por Dr. Lucas Campos

   O TROPION-Lung01 foi um ensaio clínico de fase III que comparou o Datopotamabe deruxtecano (Dato-DXd), um conjugado anticorpo-fármaco direcionado ao receptor TROP2, com o Docetaxel em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (NSCLC) avançado ou metastático, que já haviam sido submetidos a pelo menos uma linha de tratamento sistêmico anterior.

   O estudo incluiu 604 pacientes que foram randomizados para receber Dato-DXd ou docetaxel a cada três semanas. Todos os pacientes precisavam contemplar rigorosos critérios de inclusão, como: diagnóstico confirmado de NSCLC avançado/metastático; ter realizado tratamento prévio com quimioterapia e imunoterapia; apresentar ECOG 0-1 e quando presentes as metástases cerebrais precisavam estar estáveis. Em contrapartida, um importante critérios de exclusão foi não ter doença intersticial pulmonar ativa ou prévia. Neste estudo o endpoint primário escolhido foi a sobrevida livre de progressão (PFS).

   O TROPION-Lung01 atingiu seu desfecho primário de PFS, com uma mediana de 5,6 meses para o grupo de Dato-DXd em comparação a 3,9 meses para o grupo de docetaxel. Esse benefício foi mais evidente em pacientes com NSCLC não escamoso, em que o hazard ratio (HR) para PFS foi de 0,63, mostrando uma redução de 37% no risco de progressão ou morte. Para os pacientes com alterações genômicas acionáveis, como mutações em EGFR ou ALK, o benefício foi ainda mais pronunciado, com um HR de 0,38.

   Embora o estudo não tenha atingido significância estatística para o desfecho de sobrevida global na população geral, observou-se uma tendência numérica favorável ao Dato-DXd em comparação ao Docetaxel. A mediana de OS foi de 12,9 meses no grupo de Dato-DXd e 11,8 meses no grupo de Docetaxel (HR = 0,94). Entretanto, o benefício foi mais notável entre pacientes com histologia não escamosa, onde a mediana de OS foi de 14,6 meses com Dato-DXd, comparado a 12,3 meses com Docetaxel (HR = 0,84).

   O Dato-DXd foi associado a uma taxa significativamente menor de eventos adversos graves (grau 3 ou superior) em comparação com o Docetaxel (25% vs 41%), apesar de um maior tempo de exposição ao tratamento no braço de Dato-DXd. Os efeitos adversos mais comuns no grupo de Dato-DXd foram estomatite (47%) e náusea (34%), enquanto o Docetaxel foi mais frequentemente associado a neutropenia (26%) e alopecia (35%). Um dos eventos adversos de especial interesse foi a doença pulmonar intersticial (ILD), que ocorreu em cerca de 5% dos pacientes tratados com Dato-DXd, o que exige monitoramento atento, mas foi considerado manejável na maioria dos casos.

   Os resultados do TROPION-Lung01 sugerem que o Dato-DXd oferece uma alternativa viável ao Docetaxel para pacientes com NSCLC avançado, especialmente para aqueles com histologia não escamosa ou alterações genômicas acionáveis. Com uma melhora significativa na PFS e um perfil de segurança mais favorável, o Dato-DXd pode representar uma nova opção terapêutica de segunda linha para pacientes que progrediram após terapias à base de platina e inibidores de PD-1/PD-L1. A eficácia em pacientes com alterações genômicas e a menor toxicidade em relação ao Docetaxel ressaltam seu potencial de mudar a prática clínica no tratamento de NSCLC .

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