*Comentado por Dra Paloma Porto
Pacientes com câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa tem um mal prognóstico e altas taxas de mortalidade, sendo uma doença com necessidades de mais estudos e medicações que possam melhorar os desfechos desse subtipo de câncer de pulmão.
O EXTENTORCH foi um estudo de fase 3 que avaliou a eficácia e segurança do toripalimab (anti-PD-1) combinado com quimioterapia (etoposideo e platina) em primeira linha para pacientes com câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa (ES-SCLC).
Foi um estudo multicêntrico, realizado em 49 centros na China, duplo-cego, placebo controlado que incluiu 442 pacientes, de setembro de 2019 a maio de 2021.
Os pacientes foram randomizados (1:1) para receber toripalimab, 240mg ou placebo junto com quimioterapia (etoposideo e platina – EP) a cada 3 semanas por 4 – 6 ciclos, seguidos de manutenção com toripalimab ou placebo até progressão de doença, toxicidade limitante ou até completar 2 anos de tratamento.
Os desfechos foram sobrevida livre de progressão (PFS) e de sobrevida global (OS). Os resultados do sequenciamento genético identificaram biomarcadores que podiam se correlacionar com a eficácia clínica.
Como resultados, 422 pacientes foram randomizados com média de idade de 63 anos (30 – 77 anos), 82,8% do sexo masculino, 223 foram randomizados para o grupo do toripalimab mais quimioterapia e 219 para placebo mais quimioterapia. Até abril de 2023 a média de follow-up foi de 13,7 meses.
O grupo que recebeu toripalimab teve aumento significativo de sobrevida livre de progressão (PFS) com 5,8 meses no grupo do totipalimab versus 5,6 meses no grupo placebo (HR 0.67 [95% CI, 0.54-0.82]; P < 0.001) e a PFS em 6 meses foi de 47,1% versus 36,3% respectivamente. A sobrevida global (OS) do grupo do toripalimab foi superior quando comparado com placebo (HR 0.80 [95% CI, 0.65-0.98]; P = 0.03), com uma média de OS de 14,6 meses versus 13,3 meses. As taxas de SG em 1 ano foram de 63,1% e 54,9%, e de 2 anos foram de 25,9% e 19,5%, para toripalimab e placebo, respectivamente.
Análises de biomarcadores identificaram fatores correlacionados com melhores desfechos no grupo do toripalimab como: baixa heterogeneidade intra-tumoral, HLA-A11+ HLA-B62− haplotype, wild-type KMT2D e COL4A4, variações na sequência de CTNNA2 ou SCN4A.
O perfil de segurança foi bem tolerado. A taxa de eventos adversos (AE) foi de 99,5% no braço do toripalimabe e de 100% no braço do placebo. A taxa de AE de grau 3 ou superior foi de 89,6% e 89,4%, respectivamente. Eventos fatais foram observados em 12 pacientes (5,4%) no braço do toripalimabe e em 7 pacientes (3,2%) no braço do placebo.
Os eventos adversos de grau 3 ou superior mais comuns (nos braços de toripalimab e placebo, respectivamente) foram neutropenia (74,3% e 75,0%), leucopenia (38,7% e 44,9%), anemia (30,6% e 34,7% ) e plaquetopenia (24,8% e 34,3%).
O autor concluiu que a adição de toripalimab à quimioterapia de primeira linha demonstrou melhorias significativas na PFS e OS para pacientes com ES-SCLC. O tratamento exibiu um perfil de segurança aceitável, apoiando este regime como uma nova opção de tratamento para pacientes com ES-SCLC.
Já se sabe que quimioimunoterapia já é o padrão de tratamento de pacientes com câncer de pulmão de pequenas células com doença extensa e com os resultados do EXTENTORCH , o toripalimab e quimioterapia com platina e etoposideo entram como uma outra opção de tratamento de primeira linha nesse cenário.
Referências:
Cheng Y, Zhang W, Wu L, et al. Toripalimab plus chemotherapy as a first-line therapy for extensive-stage small cell lung cancer: The phase 3 EXTENTORCH randomized clinical trial. JAMA Oncol. Published online November 14, 2024. doi:10.1001/jamaoncol.2024.5019
Daylan AEC, Morgensztern D, Waqar SN. Toripalimab for extensive-stage small cell lung cancer. JAMA Oncol. Published online November 14, 2024. doi:10.1001/jamaoncol.2024.5019
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