Comentado por Dra. Carolina Cavalcanti*
Os resultados do estudo Himalaya resultaram na aprovação do esquema Durvalumabe e Tremelimumabe (STRIDE – dose única de Tremelimumabe e continuidade do Durvalumabe) por demostrar melhor sobrevida global comparado ao braço controle com sorafenibe.
Uma necessidade não atendida é que os pacientes com pior função hepática com CHILD e status performance ECOG mais comprometidos não conseguiram ser elegíveis para o estudo, de forma que essa população, mesmo representando a maioria dos pacientes diagnosticados na prática clínica, não conseguem ser bem representados nos estudos de tratamento do carcinoma hepatocelular.
A partir da necessidade supracitada foi elaborado o estudo de fase IIIB SIERRA que incluiu 3 grupos de pacientes, não incluídos no estudo Himalaya:
1) CHILD-PUGH score B7 ou B8 com ECOG PS 0-1 (CP B7/B8 ECOG 0-1)
2) CHILD-PUGH score A com ECOG 2 (CP A ECOG PS 2)
3) CHILD-PUGH score A com ECOG 0-1 com trombose da veia porta Vp4 (CP A ECOG 0-1, Vp4)
Os pacientes incluídos tinham mediana de idade de 70 anos, 64% CHILD A, 45% ECOG 2. Foram incluídos 35 pacientes do grupo 1 (CP B7/B8 ECOG 0-1), 44 pacientes do grupo 2 (CP A ECOG PS 2) e 19 pacientes do grupo 3 (CP A ECOG 0-1, Vp4).
A análise de segurança demonstrou uma maior taxa de eventos adversos relacionados à intervenção ocorrendo no grupo 3, ou seja, pacientes com invasão de veia porta Vp4, como demonstra a tabela abaixo, adaptada dos resultados do estudo:
Tabela 1 – Incidência de eventos adversos Grau 3 ou Grau 4 em 6 meses
| Variável | CP B7/B8 ECOG 0-1 (N=35) | CP A ECOG PS 2 (N=44) | CP A ECOG0-1 and Vp4 (N=19) | Total (N=98) |
| Qualquer evento adverso, n (%) | 28 (80.0) | 42 (95.5) | 19 (100) | 89 (90.8) |
| Evento adverso provavelmente relacionado a intervenção (PRAE), n (%) | 17 (48.6) | 34 (77.3) | 13 (68.4) | 64 (65.3) |
| PRAE grau 3/4 em 6 meses de acompanhamento(%) | 6 (17.1) | 8 (18.2) | 5 (26.3) | 19 (19.4) |
| PRAE que levaram a morte(%) | 0 | 2 (4.5) | 0 | 2 (2.0) |
| Eventos adversos que levaram a descontinuação(%) | 3 (8.6) | 3 (6.8) | 4 (21.1) | 10 (10.2) |
| Eventos adversos imunomediados(%) | 4 (11.4) | 15 (34.1) | 6 (31.6) | 25 (25.5) |
| Eventos adversos imunomediados tratados com corticoide(%) | 0 | 7 (15.9) | 4 (21.1) | 11 (11.2) |
| Evento adverso hemorrágico(%) | 3 (8.6) | 6 (13.6) | 2 (10.5) | 11 (11.2) |
| PRAE graves(%) | 1 (2.9) | 8 (18.2) | 5 (26.3) | 14 (14.3) |
| Eventos adversos sérios G3 e G4(%) | 5 (14.3) | 13 (29.5) | 8 (42.1) | 26 (26.5) |
Assim, o estudo SIERRA demonstrou dados de segurança em pacientes com pior prognóstico (pior CHILD, ECOG e possível envolvimento de veia porta).
Comparado ao reportado na análise final do estudo Himlaya, a taxa de eventos adversos graves relacionados ao tratamento foi de 17,5% a 19,3% em um tempo de acompanhamento mediano de 60 meses. Foi possível concluir por este estudo que incluiu 98 pacientes que o perfil de segurança do esquema STRIDE foi manejável sem demonstrar novos sinais de alerta.
O estudo permite maior conhecimento dos oncologistas sobre o que esperar ao iniciar o esquema STRIDE na maioria dos pacientes tratados na prática clínica.
Referências: Chan, S.L. et al. Safety results from the phase IIIb SIERRA study of durvalumab (D) and tremelimumab (T) as first-line (1L) treatment (tx) for hepatocellular carcinoma (HCC) participants (pts) with a poor prognosis. Presented in ESMO GI 2025
*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia