*Comentado por Dr.Fernando Baracho
O tempo para linha subsequente e risco de progressão de doença ou morte foram reduzidos após o tratamento com inavolisibe em combinação com palbociclibe e fulvestranto em pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático receptor hormonal positivo, HER2 negativo, com mutação no gene PIK3CA, que progrediram durante a adjuvância com terapia hormonal ou em até 12 meses de sua conclusão. Esses dados são provenientes do estudo de fase III INAVO120, apresentado durante na ASCO 2024.
Este estudo randomizou 325 pacientes para uso de inavolisibe, palbociclibe e fulvestranto ou placebo com palbociclibe e fulvestranto. As pacientes receberam inavolisibe a 9 mg por dia (n = 161) ou placebo correspondente (n = 164). Ambos os grupos receberam palbociclibe a 125 mg por dia do dia 1 ao 21 de cada ciclo e fulvestranto a 500 mg no dia 1 e 15 no ciclo 1, seguido por uma dose a cada 4 semanas. Em ambos os braços, cerca de dois terços das pacientes tinham um performance status ECOG de 0, e o restante, de 1. Quase metade das pacientes em cada grupo tinha 3 ou mais órgãos afetados com metástases, e quase metade tinha acometimento hepático, com aproximadamente 40% apresentando doença pulmonar. Aproximadamente 82% das pacientes receberam quimioterapia neoadjuvante ou adjuvante anterior, e quase todas haviam recebido terapia endócrina neoadjuvante ou adjuvante anterior. Uma minoria das pacientes havia recebido um inibidor de CDK 4/6 prévio (1,9% no grupo triplo e 0,6% no grupo placebo).
Os achados iniciais do estudo para sobrevida livre de progressão (PFS) foram apresentados inicialmente no Simpósio de Câncer de Mama de San Antonio 2023. Para esse desfecho, a mediana de PFS foi de 15,0 meses com inavolisibe, em comparação a 7,3 meses para palbociclibe e fulvestranto isoladamente (HR, 0,43; IC 95%, 0,32-0,59; P < 0,0001). Nos resultados apresentados na ASCO, o tempo desde a randomização até o final do próximo tratamento (PFS2) foi de 24,0 meses com a adição de inavolisibe, em comparação a 15,1 meses para palbociclibe e fulvestranto isoladamente (HR, 0,54; IC 95%, 0,38-0,77). O tempo até a primeira quimioterapia ainda não foi alcançado com a adição de inavolisibe, em comparação a 15,0 meses com placebo (HR não estratificada, 0,54; IC 95%, 0,37-0,78).
Com base nos achados do estudo de fase 3 INAVO120, a FDA concedeu uma revisão prioritária para uso desse novo medicamento, o inavolisibe, como tratamento para pacientes com câncer de mama receptor hormonal positivo, HER2-negativo, com mutações PIK3CA. O FDA deve decidir sobre esta aprovação até 27 de novembro de 2024.
Com um follow-up mediano de 21,3 meses, o tratamento foi descontinuado para 57,8% daquelas no braço inavolisibe, em comparação com 70,1% no grupo placebo. Houve 12 mortes no braço inavolisibe (7,5%), em comparação com 19 no grupo placebo (11,6%). Os achados de sobrevida global ainda não estavam maduros até a ultima apresentação.
Os eventos adversos (EAs) associados ao inavolisibe foram monitorados de perto, incluindo hiperglicemia, diarreia, erupção cutânea e estomatite, que são EAs associados aos inibidores de PI3K. A hiperglicemia de todos os graus foi observada em 59% dos pacientes no braço investigacional, em comparação com 9% no grupo placebo. A maioria foi de grau 1 e 2. Hiperglicemia grau 3 foi observada em 6% dos pacientes no grupo inavolisibe, em comparação com nenhum no grupo placebo. Diarreia de qualquer grau foi observada em 48% dos pacientes no grupo inavolisibe, em comparação com 16% no grupo placebo. No geral, 4% desses casos foram de grau 3 em severidade no grupo inavolisibe, em comparação com nenhum no grupo placebo. A erupção cutânea de todos os graus ocorreu em 25% daqueles no braço PI3K, em comparação com 17% no grupo placebo. Todos foram de grau 1 e 2 em severidade. Estomatite foi presente em 51% dos pacientes no grupo inavolisibe, em comparação com 27% no grupo placebo.
Inavolisibe foi descontinuado devido a qualquer EA por 6,2% dos pacientes. Além disso, o inibidor de PI3K foi descontinuado devido a EAs chave em apenas 2 pacientes: 1 por hiperglicemia e 1 por estomatite.
O protocolo de tratamento estudado no INAVO120 é uma boa alternativa para primeira linha das pacientes que progrediram durante a hormonioterapia adjuvante ou no primeiros 12 meses após o término desta, em caso de mutação no gene PIK3CA. Esta população de pacientes é sabidamente resistente a terapia hormonal e tem baixa sobrevida livre de progressão mesmo com o uso de inibidores de ciclina. Além disso esse estudo nos permite formular hipóteses da possível melhor atividade do inavolisibe com outros iCDKs possivelmente mais ativos ( ribociclibe, abemaciclibe) e com outros SERDs em investigação (elacestranto).
Referência: Dejan Juric et al., First-line inavolisib/placebo + palbociclib + fulvestrant (Inavo/Pbo+Palbo+Fulv) in patients (pts) with PIK3CA-mutated, hormone receptor-positive, HER2-negative locally advanced/metastatic breast cancer who relapsed during/within 12 months (mo) of adjuvant endocrine therapy completion: INAVO120 Phase III randomized trial additional analyses.. JCO 42, 1003-1003(2024). DOI:10.1200/JCO.2024.42.16_suppl.1003
*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia