Pular para o conteúdo principal

Real Oncologia

NIAGARA, ESMO 2024: durvalumab, em combinação com quimioterapia neoadjuvante, seguido e tratamento adjuvante com durvalumab em câncer de bexiga músculo-invasivo.

*Comentado pelo Dr. Fernando Baracho

         O Niagara Trial, apresentado no Congresso Europeu de Oncologia (ESMO) de 2024, investigou a eficácia e segurança de durvalumab, um inibidor de PD-L1 (ANTI-PD-L1), em combinação com quimioterapia neoadjuvante, seguido por cistectomia radical e tratamento adjuvante com durvalumab em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo (MIBC).

        O câncer urotelial músculo-invasivo (MIBC) é uma doença agressiva e com altas taxas de recidiva após tratamento cirúrgico. A quimioterapia neoadjuvante, baseada em platina, é o padrão de tratamento, mas muitos pacientes não respondem adequadamente. A imunoterapia com inibidores de checkpoint, como durvalumab, mostrou eficácia em outros cenários de câncer urotelial (CheckMate 274, AMBASSADOR), justificando a investigação de seu uso no cenário neoadjuvante e adjuvante.

       Este estudo de fase 3, multicêntrico, randomizado, incluiu pacientes com MIBC cT2–T4aN0/1M0. Os pacientes foram distribuídos em dois grupos: o braço de intervenção recebeu quatro ciclos de durvalumab (1.500 mg a cada 3 semanas) combinado com quimioterapia baseada em cisplatina (gemcitabina + cisplatina). Após a cistectomia radical, os pacientes continuaram com durvalumab como tratamento adjuvante por mais 8 ciclos. No braço comparador (quimioterapia isolada), os pacientes receberam o mesmo regime de quimioterapia neoadjuvante, mas sem durvalumab, e nenhum tratamento adjuvante foi administrado após a cistectomia.

       A  idade média (cerca de 65 anos), distribuição de sexo (prevalência masculina), e fatores de risco, como tabagismo, foram bem balanceadas entre os dois grupos. A mediana de seguimento foi de 30 meses.

       O desfecho primário foi a sobrevida livre de eventos (event-free survival, EFS). O estudo mostrou uma melhora significativa na EFS (ITT) no braço de durvalumab + quimioterapia em comparação com quimioterapia isolada. A mediana de EFS ainda não foi alcançada no braço experimental, contra 46,1 meses no grupo de controle, com uma redução de 32% no risco de eventos (HR: 0,68; IC 95%: 0,56-0,82; p<0,0001).

      A resposta patológica completa (pCR, na re-análise de 04/2024) — definida como a ausência de tumor residual na cistectomia — foi observada em 37,3% dos pacientes no braço durvalumab + quimioterapia, em comparação com 27,5% no braço de quimioterapia isolada.

      A sobrevida global em 2 anos (end point secundário) foi de 82,2% no grupo que recebeu durvalumab, contra 75,2% no grupo controle (HR: 0,75; IC 95%: 0,59-0,93, p=0,0106) e foi consistente em todos os subgrupos.

      Em termos de toxicidade, o tratamento com durvalumab combinado à quimioterapia apresentou um perfil de segurança aceitável, manejável e sem novidades em termos do que é conhecido quanto a adição de imunoterapia (IO).

      Esse trial demonstrou que a adição de durvalumab à quimioterapia neoadjuvante, seguida de cistectomia radical e imunoterapia adjuvante, melhora significativamente a sobrevida livre de eventos em pacientes com câncer de bexiga músculo-invasivo. Além disso, a taxa de resposta patológica completa foi maior no grupo tratado com durvalumab. O perfil de toxicidade foi manejável e compatível com os efeitos esperados de imunoterapia.

Referência: Rubin EJ, Yeku OO, Morrissey S. NEJM at ESMO – Perioperative Durvalumab with Neoadjuvant Chemotherapy in Operable Bladder Cancer. N Engl J Med. Published online September 15, 2024. doi:10.1056/NEJMe2411490

Nossos médicos desenvolvem comentários sobreartigos relacionados à oncologia

Outros artigos...