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Real Oncologia

KEYNOTE 522 atinge desfecho secundário de sobrevida Global – apresentação em plenária na ESMO 2024

*Comentado por Dra. Cecília Arraes

Introdução

O estudo Keynote-522 foi um estudo clínico de fase 3 desenhado para avaliar a eficácia e segurança do uso de pembrolizumabe, um inibidor de PD-1, em combinação com quimioterapia neoadjuvante em pacientes com câncer de mama triplo-negativo (CMTN) em estágio inicial (II ou III). Este estudo foi conduzido em 181 centros ao redor do mundo, incluindo América do Norte, Europa, Ásia e América Latina.

Em setembro de 2024, durante o Congresso Europeu de Oncologia em Barcelona, Dr. Peter Schmid apresentou os resultados de benefício dessa medicação em sobrevida global, tornando esse protocolo uma mudança de prática clínica para Oncologia Mamária.

Desenho do estudo

Os pacientes foram randomizados na proporção de 2:1 para receber pembrolizumabe combinado com quimioterapia ou placebo com quimioterapia. O regime neoadjuvante consistia em três meses de paclitaxel semanal e carboplatina (em regime a cada 4 semanas ou semana), seguidos por quatro ciclos de antraciclina (doxorrubicina ou epirrubicina) mais ciclofosfamida. Após a cirurgia definitiva, os pacientes continuaram a receber pembrolizumabe ou placebo como terapia adjuvante por até nove ciclos.

População do Estudo

Um total de 1174 pacientes com CMTN não metastático foram incluídos. A estratificação foi baseada em status nodal (positivo ou negativo), tamanho tumoral (T1-T2 versus T3-T4) e frequência de administração de carboplatina (semanal ou a cada 3 semanas).

Desfechos primários

Os dois desfechos primários do estudo foram a resposta patológica completa (pCR), definida como ausência de câncer invasivo na mama e nos linfonodos (ypT0/Tis ypN0), e sobrevida livre de eventos (EFS), que considerou o tempo até a progressão da doença ou morte.

Resultados

Resposta Patológica Completa pCR (Barcelona, 2019)

A adição de pembrolizumabe resultou em uma melhora significativa na taxa de resposta patológica completa. No grupo que recebeu pembrolizumabe, a pCR foi de 64,8%, em comparação com 51,2% no grupo placebo (diferença de 13,6 pontos percentuais; P<0,001).

Sobrevida Livre de Eventos EFS (Paris, 2022)

Após um acompanhamento mediano de 39,1 meses, a EFS em 36 meses foi de 84,5% no grupo pembrolizumabe, comparado a 76,8% no grupo placebo (HR: 0,63; IC 95%, 0,48-0,82; P<0,001), representando uma redução de 37% no risco de progressão da doença ou morte. Esses dados se mantiveram estáveis no seguimento de 75 meses, com HR 0,65 e sobrevida livre de recidiva em 5 anos de 81,2% para grupo que usou Pembrolizumabe e 72,2% para o grupo placebo.

Sobrevida Global OS (Barcelona, 2024)

Com um acompanhamento mediano de 75,1 meses, a taxa de sobrevida global em 60 meses foi de 86,6% no grupo pembrolizumabe e de 81,7% no grupo placebo (P=0,002), com uma redução de 37% no risco de morte (HR: 0,63) e um ganho absoluto de 4,9% em favor de Pembrolizumabe. O benefício foi evidenciado independente do status PDL1, resposta patológica, estadiamento ou esquema de administração de carboplatina.

A resposta patológica completa foi fortemente associada com melhores desfechos de EFS e OS. Pacientes que alcançaram pCR tiveram uma redução significativa no risco de recorrência ou morte. Em termos de sobrevida global, os pacientes que não tiveram resposta patológica completa alcançaram benefício maior com uso de imunoterapia. Os dados apresentados na ESMO 2024 revelaram uma diferença em sobrevida global de 0,7% (95,1% x 94,4%) em quem atingiu PCR e 6,1% (71,8% x 65,7%) em quem não atingiu, em termos absolutos. Embora o ganho absoluto tenha sido pequeno no grupo que atingiu pCR, ambos os grupos apresentaram redução de risco importante, sendo de 31% (HR: 0,65) em quem atingiu pCR e 24% em que não atingiu (HR: 0,76).

Conclusão

O estudo Keynote-522 demonstrou que a adição de pembrolizumabe à quimioterapia neoadjuvante resultou em uma melhora significativa na resposta patológica completa, sobrevida livre de eventos e sobrevida global em pacientes com câncer de mama triplo-negativo. O benefício foi consistente em todos os subgrupos, sendo mais pronunciado em pacientes com ausência de resposta patológica completa e foi independente da expressão de PD-L1. Esses dados consolidam o papel do pembrolizumabe como tratamento eficaz no manejo desta doença agressiva.

Referências:

  1. Schmid P., Cortes J., Pusztai L., et al. Pembrolizumab for Early Triple-Negative Breast Cancer. The New England Journal of Medicine, 2020; 382:810-821. DOI: 10.1056/NEJMoa1910549
  2. Schmid P., Cortes J., Dent R., et al. Event-Free Survival with Pembrolizumab in Early Triple-Negative Breast Cancer. The New England Journal of Medicine, 2022; 386:556-567. DOI: 10.1056/NEJMoa2112651
  3. 3) Overall Survival with Pembrolizumab in Early-Stage Triple-Negative Breast Cancer
    Schmid P., Cortes J., Dent R., et al. The New England Journal of Medicine, 2024; DOI: 10.1056/NEJMoa2409932

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