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Real Oncologia

IPSOS trial – Atezolizumabe monoterapia Primeira linha versus Quimioterapia agente único em pacientes com Câncer de pulmão inelegível para tratamento com regime contendo quimioterapia a base de platina.

*Comentado por Dra. Carolina Ferraz

            Apesar dos inegáveis avanços na imunoterapia para pacientes com câncer de pulmão não pequenas células avançado ou metastático, os principais estudos que consolidaram o uso dessas terapias foram limitados a pacientes com status performance 0-1 e idade mediana de 65 anos ou menos.

            Tentando preencher essa lacuna, estudo publicado na revista científica The Lancet de 03 de agosto de 2023 teve com objetivo avaliar a eficácia e a segurança da imunoterapia em primeira linha em um grupo de pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células  ( CPNPC) avançado ou metastático  que , tradicionalmente,  é pouco representado em estudos clínicos. Embora os avanços da imunoterapia tenham transformado o tratamento do CPNPC, os principais ensaios incluíram majoritariamente pacientes com bom estado funcional (ECOG 0-1) e idade mais jovem. Assim, este estudo buscou comparar o uso de Atezolizumabe em monoterapia com quimioterapia de agente único em pacientes inelegíveis a quimioterapia baseada em platina.

            Trata-se de um ensaio clínico de fase 3, aberto, randomizado e controlado, conduzido em 91 centros de 23 países na Ásia, Europa, América do Norte e América do Sul. Foram incluídos pacientes com CPNPC estádio IIIB ou IV, considerados inelegíveis para dupla de quimioterapia baseada em platina devido a ECOG 02 ou 03, ou idade superior ou igual a 70 anos associada a comorbidades relevantes ou contraindicações ao uso de platina. Os participantes foram randomizados na proporção de 2:1 para receber Atezolizumabe intravenoso a cada três semanas ou quimioterapia de agente único.

            O tratamento experimental consistiu em Atezolizumabe na dose fixa de 1200 mg por via intravenosa a cada três semanas. O grupo controle recebeu quimioterapia com vinorelbina (oral ou intravenosa) ou gemcitabina, administradas conforme prática local, em esquemas de três ou quatro semanas.  O desfecho primário do estudo foi a sobrevida global avaliada na população por intenção de tratar, enquanto as análises de segurança incluíram todos os pacientes que receberam ao menos uma dose do tratamento alocado.

            Entre setembro de 2017 e setembro de 2019, 453 pacientes foram randomizados, sendo 302 no braço Atezolizumabe e 151 no braço da quimioterapia. O Atezolizumabe demonstrou benefício significativo em sobrevida global, com mediana de 10,3 meses versus 9,2 meses no grupo quimioterapia. A taxa de sobrevida em dois anos também foi maior no grupo da imunoterapia. Além disso, os pacientes tratados com Atezolizumabe apresentaram estabilização ou melhora nos escores de qualidade de vida relacionadas à saúde.

            Em relação a segurança, o Atezolizumabe foi associado a menor incidência de eventos adversos relacionados ao tratamento de grau 03 ou 04 em comparação à quimioterapia, além de menor número de óbitos relacionados ao tratamento.

            Os achados do estudo sustentam que o Atezolizumabe em monoterapia é uma opção eficaz, mais bem tolerada e clinicamente relevante como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células avançado que não são candidatos à quimioterapia com platina, preenchendo uma lacuna importante no cuidado dessa população mais frágil.

            No Brasil, a aprovação do Atezolizumabe em monoterapia como tratamento de primeira linha para pacientes  com câncer de pulmão de não pequenas células avançado ou metastático, inelegíveis a platina , ocorreu em 28 de julho de 2025, ampliando o acesso à imunoterapia  no cenário brasileiro, alinhando a prática clínica nacional às  evidências científicas  mais recentes  e reforçando a importância de abordagens individualizadas que conciliem eficácia , tolerabilidade e qualidade de vida.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia

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