*Comentado por Dra. Carolina Cavalcanti
A caracterização genômica do adenocarcinoma de pâncreas vem sendo bem estudada. Cerca de 90% dos pacientes com adenocarcinoma de pâncreas apresentam alguma mutação do KRAS. A mais prevalente é a do KRASG12D.
Foram apresentados no congresso americano os dados de sobrevida do estudo de fase III RASolute 302 que demonstraram redução de 60% do risco de morte com a medicação Daraxonrasib em linhas subsequentes de tratamento.
Recentemente no congresso europeu de câncer gastrointestinal (ESMO GI 2026) que ocorreu em Munique, Alemanha, foram apresentados dados animadores de outro inibidor da proteína do RAS – a medicação Zoldonrasib – que é seletiva para o KRAS G12D. Trata-se do estudo “Safety and Efficacy of Zoldonrasib (RMC-9805) Plus Chemotherapy in Patients With 1L RAS G12D Metastatic Pancreatic Adenocarcinoma”.
O estudo supracitado avaliou a eficácia e segurança do inibidor de KRAS Zoldonrasib junto à quimioterapia em pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático virgens de tratamento. Quarenta e um pacientes ficaram no grupo 1, que foi o do Zoldonrasib junto com o esquema quimioterápico FOLFIRINOX modificado e 40 pacientes ficaram no grupo 2 – Zoldonrasib junto com o esquema Gencitabina e nab-paclitaxel.
A taxa de resposta objetiva do grupo 1 foi de 82% e do grupo 2 foi de 61%, muito superior à esquemas de quimioterapia (como FOLFIRINOX e nab-paclitaxel), que costumavam demonstrar taxa de resposta objetiva entre 23 a 43%.

Com relação aos dados de segurança, a combinação demonstrou-se segura, uma vez que não resultou em eventos grau 5. Além disso, nenhum novo evento adverso inesperado foi encontrado, sendo o mais comum a diarreia, que ocorreu nos graus 1 ou 2 na maioria dos pacientes. Com a combinação do Zoldonrasib e Gencitabina+Nab-paclitaxel o evento adverso mais comum foi a fadiga.
Os dados acima corroboraram para a realização do estudo de fase III RASolute 305 que está recrutando globalmente pacientes com mutação de KRAS G12D para utilizar o Zoldonrasib com quimioterapia na primeira linha de tratamento.
Atualmente, mais de 30 moléculas que atuam na inibição do RAS estão sendo testadas em estudos de fase 1 e 2 para o tratamento do adenocarcinoma de pâncreas, o que comprova que a ciência encontra-se na busca incessante de desfechos melhores para uma doença ainda com um prognóstico muito desfavorável.
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