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Real Oncologia

INDIGO Trial – uso de vorasidenibe em paciente com glioma grau 2 e mutação de IDH-1/2

*Comentado por Dr. Lucas Campos

Os gliomas são a grande maioria dos tumores do sistema nervoso central (SNC) e o seu tratamento é sempre considerado um desafio. Para pacientes com glioma IDH-mutado grau 2 a terapia padrão consiste em cirurgia, seguido de quimiorradioterapia naqueles considerados de alto risco.  Contudo, este tratamento não é curativo e é associado com disfunção neurocognitiva induzida pela radioterapia, além de outras toxidades. O atraso da radioterapia não impacta em sobrevida global (SG), por este motivo, adiar a realização da radioterapia é uma estratégia interessante nestes pacientes.

O INDIGO é um estudo de fase III, randomizado, duplo-cego que avaliou vorasidenibe versus placebo em pacientes com glioma IDH-mutado grau 2, com doença residual ou recorrente. Apresentado na plenária da ASCO 2023 e publicado simultaneamente na New England.

A mutação de IDH é uma mutação inicial na oncogênese desses tumores, levando ao acumulo do metabólito 2-OH-Glutarato que tem um papel chave na formação dos gliomas, desregulação epigenética e crise convulsiva. O vorasidenib é um inibidor potente de IDH 1/2 com alta penetração em sistema nervoso central.

Foram avaliados 331 pacientes com oligodendrogliomas ou astrocitomas e mutação de IDH sem tratamento prévio (apenas cirurgia) que tivessem doença residual ou recorrente. Estes pacientes tinham uma mediana de idade de 40,4 anos, 53,5% com KPS de 100 e com um tempo mediano da cirurgia até a randomização de 2,4 anos. Eles foram randomizados 1:1 para tratamento com vorasidenibe 40mg por dia ou placebo, sendo permitido crossover na progressão. O desfecho primário foi sobrevida livre de progressão (SLP) e os desfechos secundários foram tempo para próxima intervenção (TTNI), toxidade, taxa de crescimento tumoral, taxa de resposta, tempo de resposta, duração de resposta, sobrevida global e qualidade de vida (sendo apresentado apenas SLP e TTNI).

Houve um ganho importante de SLP no braço experimental de 27,7 versus 11,1 meses; HR 0,39 (0,27 – 0,56); p=0,00000067, além de benefício significativo em TTNI com mediana não alcançada no braço vorasidenibe versus 17,8 meses no braço placebo; HR 0,26 (0,15-0,43), p=0,000000019. Com benefício mantido em todos os subgrupos. O tratamento foi bem tolerado, sendo a principal toxidade alteração de transaminases em 9,6% dos pacientes.

Estes resultados são muito animadores em uma área escassa de tratamentos e de boas respostas. Vorasidenibe torna-se assim o tratamento padrão para este nicho de pacientes. Por enquanto, aguardamos ansiosamente a aprovação desta medicação no Brasil.

Referência:

I.K. Mellinghoff, M.J. van den Bent, D.T. Blumenthal, M, et al. Vorasidenib in IDH1- or IDH2-Mutant Low-Grade Glioma. NEJM. Doi:10.1056/NEJMoa2304194.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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