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Real Oncologia

First-line (1L) nivolumab (NIVO) + ipilimumab (IPI) + 2 cycles of chemotherapy (chemo) versus chemo alone (4 cycles) in patients (pts) with metastatic non–small cell lung cancer (NSCLC): 3-year update from CheckMate 9LA.

O CheckMate -9LA é um ensaio clínico randomizado, de fase 3, aberto e multicêntrico, que avaliou o uso de nivolumabe (360 mg a cada 21 dias) mais ipilimumabe (1 mg/kg a cada 6 semanas) combinado com dois ciclos de quimioterapia até dois anos, até progressão ou até toxicidade limitante, comparado a quimioterapia isolada (até 4 ciclos seguido de terapia de manutenção opcional com pemetrexede, se elegível) até progressão ou até toxicidade limitante, no tratamento de primeira linha em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células (NSCLC) metastático independente da expressão de PD-L1, sem mutações de EGFR ou ALK.

O objetivo primário do estudo foi sobrevida global (OS) por intenção de tratar (ITT) e os desfechos secundários foram sobrevida livre de progressão (PFS), taxa de resposta global (ORR) e medidas de eficácia de acordo com os biomarcadores.

Entre 24 de agosto de 2017 e 30 de janeiro de 2019, 1.150 pacientes foram inscritos e 719 (62,5%) foram aleatoriamente designados para nivolumabe mais ipilimumabe com dois ciclos de quimioterapia (n=361 [50%]) ou quatro ciclos apenas de quimioterapia (n=358 [50%]). Os primeiros resultados foram publicados em janeiro do ano passado (2021) no Lancet oncology mostrando que na análise pré-planejada (acompanhamento médio de 9,7 meses) a sobrevida global foi significativamente mais longa no grupo experimental do que no grupo controle (14,1 meses versus 10.7 meses – HR 0·69 p=0·00065). E com um acompanhamento de 13,2 meses a sobrevida global foi de 15,6 meses no grupo experimental versus 10,9 meses no grupo controle (HR 0,66).

Os eventos adversos relacionados ao tratamento de grau 3–4 mais comuns foram neutropenia (7% no grupo experimental vs 9% no grupo controle), anemia (6% vs 14%), diarreia (4% vs 1%), lipase aumentada (6% vs 1%) e neutropenia febril (4% vs 3%). Eventos adversos graves relacionados ao tratamento de qualquer grau ocorreram em 30% dos pacientes no grupo experimental e 18% no grupo de controle. Ocorreram sete (2%) mortes no grupo experimental (insuficiência renal aguda, diarreia, hepatotoxicidade, hepatite, pneumonite, sepse com insuficiência renal aguda e trombocitopenia) e seis (2%) mortes no grupo controle (anemia, neutropenia febril, pancitopenia, sepse pulmonar, insuficiência respiratória e sepse).

O estudo continuou sendo acompanhado, atualizado e durante a ASCO deste ano (2022) os dados de acompanhamento de 3 anos foram apresentados (follow-up de 36,1 meses, fechamento dos dados em 15 de fevereiro de 2022), e os pacientes continuaram se beneficiando do uso de nivolumabe+ipilimumabe + 2 ciclos de quimioterapia (HR 0,74 [95% CI, 0.62–0.87]) com sobrevida global em 3 anos de 27% vs 19%, com duração de resposta por 3 anos ou mais de 23% versus 14%. O benefício clínico com NIVO + IPI + quimioterapia vs quimioterapia foi observado em todos os pacientes randomizados e na maioria dos subgrupos, inclusive independente da expressão PD-L1 ou histologia. 

Em uma análise exploratória em pacientes avaliáveis ​​para mutações, incluindo KRAS e STK11, a OS pareceu melhorar com NIVO + IPI + quimioterapia vs quimioterapia (OS mediana, 16,3 vs 13,1 meses). Tendências semelhantes de OS prolongada também foram observadas em pacientes com ou sem mutação KRAS (OS mediano, mutados: 19,2 vs 13,5 meses; wild-type: 15,6 vs 12,7 meses) ou mutação STK11 (mutados: 13,8 vs 10,7 meses; wild-type: 17,8 vs 13,9 meses). Nenhum novo sinal de segurança foi identificado com esse acompanhamento prolongado.

Como conclusão temos que com um acompanhamento mínimo de 3 anos, o uso de nivolumabe mais ipilimumabe e quimioterapia em primeira linha demonstrou benefício de eficácia durável e duradouro em relação à quimioterapia em pacientes com NSCLC metastático. E o benefício de sobrevida foi independentemente do status de mutação de KRAS e STK11.

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