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Real Oncologia

Estudo THOR – uso de erdafitinibe versus quimioterapia no tratamento de 2ª linha de pacientes com câncer de bexiga

*Comentado por Dr. Lucas Campos

O câncer de bexiga é o mais comum envolvendo o trato urinário, sendo o carcinoma urotelial o mais frequente, este também pode surgir na pelve renal, ureter ou uretra de maneira menos habitual. Cerca de 25% dos pacientes terão doença musculoinvasiva o que acarreta risco de presença de metástase ao diagnóstico ou desenvolvimento da mesma ao longo do seguimento. Quimioterapia sistêmica é o tratamento padrão para doença avançada, apresentando uma taxa de sobrevida em 5 anos de 15% com os tratamentos atuais.

O FGFR3 é um receptor do fator de crescimento de fibroblastos, sendo um receptor de tirosina quinase localizado na membrana e envolvido com proliferação celular, diferenciação e biossíntese esteroide. Existem quatro diferentes subtipos de FGFR e suas mutações e superexpressão são observadas em, aproximadamente, 20% dos pacientes com câncer urotelial localmente avançado ou metastático, tornando-se um alvo terapêutico importante nesta doença.

O THOR é um estudo fase III que avaliou pacientes com carcinoma urotelial em 2ª ou 3ª linha de tratamento com mutação ou alteração genética em FGFR, há duas coortes nesse estudo, sendo a coorte 1 apresentada na ASCO deste ano. Esta coorte randomizou o total de 266 pacientes para tratamento com erdafitinibe, um inibidor de FGFR, versus quimioterapia a escolha do investigador (docetaxel ou vinflunina). Todos os pacientes deveriam ter recebido pelo menos 1 linha de tratamento prévia, sendo obrigatória a falha a anti PD-1/L1. Destes 30% tinham recebido 1 linha de tratamento prévia, 70% com 2 linhas de tratamento prévia, 74% tinham doença visceral e 90% tinham PD-L1 CPS <10.

O desfecho primário foi sobrevida global (SG) e os desfechos secundários incluíram sobrevida livre de progressão (SLP), taxa de resposta e segurança. Quanto aos resultados, o erdafitinibe mostrou uma eficácia bastante superior, com uma resposta objetiva de 45,6% versus 11,5% com quimioterapia, sendo destas 6,6% de resposta completa no braço experimental. Houve também benefício em SLP, com mediana de 5,6 meses no braço com o inibidor de tirosina quinase versus 2,7 meses com quimioterapia, HR 0,58 (IC 95% 0,44 – 0,78), p=0,0002. Além de benefício em SG de 12,1 meses versus 7,8 meses no braço experimental e controle, respectivamente, HR 0,64 (IC 95% 0,47 – 0,88), p=0,005.

Esse é um estudo que vem para solidificar o papel desta droga nesse cenário, demonstrando a sua superioridade em relação a quimioterapia e o seu benefício em SG. Ainda não temos ensaios clínicos comparando o erdafitinibe com outras drogas novas, como o enfortunabe vedotim ou sacituzumabe govitecan, estudos são necessários nesse cenário para guiar o melhor sequenciamento destas drogas.

Referências:

Treatment of metastatic urothelial cancer of the bladder and urinary tract. UptoDate, 2023. Disponível em https://www.uptodate.com/contents/treatment-of-metastatic-urothelial-cancer-of-the-bladder-and-urinary-tract?sectionName=LATER-LINE%20THERAPY&search=c%C3%A3ncer%20de%20bexiga&topicRef=2978&anchor=H3800710683&source=see_link#. Acesso em 4 de jul. de 2023.

ASCO 2023: Discussant: THOR – Results of Erdafitinib versus Chemotherapy in Patients with Advanced or Metastatic Urothelial Cancer with Select Fibroblast Growth Factor Receptor Alteration. UroToday, 2023. Disponível em: https://www.urotoday.com/conference-highlights/asco-2023/asco-2023-bladder-cancer/144963-asco-2023-discussant-thor-results-of-erdafitinib-versus-chemotherapy-in-patients-with-advanced-or-metastatic-urothelial-cancer-with-select-fibroblast-growth-factor-receptor-alterations.html. Acesso em 4 de jul. de 2023.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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