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Real Oncologia

Estudo PAPILLON e o tratamento de Câncer de Pulmão não pequenas células com inserção em Exon 20 do EGFR

Comentado por Dra. Carolina Zitzlaff*

 As alterações no gene EGFR estão entre as alterações acionáveis mais comuns no Adenocarcinoma de pulmão, e as inserções em exon 20 representam até 12% das mutações em EGFR. Essa alteração sabidamente está associada a resistência aos inibidores de tirosinaquinase e, portanto, o tratamento padrão até então ainda é quimioterapia isolada, já que não parece haver benefício da adição de imunoterapia neste cenário.

O Amivantamab é um anticorpo bi-específico (EGFR e MET) com ação no Sistema imune por diversos mecanismos, como a trogocitose, e já está aprovado em monoterapia para uso na 2a linha de tratamento de câncer de pulmão não pequenas células com inserção em exon 20 de EGFR, baseado nos resultados do estudo CHRYSALIS. Além disso, já tínhamos dados de segurança da combinação do amivantamab com quimioterapia de estudo Fase 1.

O papillon foi um estudo Fase 3, internacional, randomizado, que avaliou, em pacientes com Câncer de pulmão não pequenas células com inserção em exon 20 de EGFR, em primeira linha, a combinação de amivantamab + quimioterapia versus quimioterapia isolada.

Entre dezembro de 2020 e novembro de 2022, foram randomizados 308 pacientes na proporção 1:1, para receber quimioterapia + amivantamab versus quimioterapia, a qual era baseada em 4 ciclos de carboplatina e pemetrexete seguidos por pemetrexete de manutenção. Pacientes com metástase cerebral poderiam ser incluídos, desde que estáveis e assintomáticos, sem uso de corticoide nas 2 semanas prévias a randomização.

O desfecho primário era sobrevida livre de progressão e eram desfechos secundários: resposta objetiva, sobrevida global, duração de resposta, tempo para linha subsequente, Sobrevida livre de progressão após linha subsequente, sobrevida livre de progressão sintomática e segurança.

O desfecho primário do estudo foi positivo, com uma mediana de sobrevida livre progressão de 11.4 meses no grupo de intervenção versus 6.7 meses no grupo quimioterapia isolada, com HR 0.40; 95% [CI], 0.30 to 0.53; P<0.001). Após 18 meses, 31% dos pacientes em uso de quimioterapia e amivantamab seguiam sem progressão de doença, versus apenas 3% nos pacientes em quimioterapia. Em relação a taxa de resposta, 73% obtiveram resposta parcial ou completa x 47%, respectivamente. Os dados de Sobrevida global ainda são imaturos, numericamente positivos, mas sem significância estatística. Um total de 66% dos pacientes do grupo de quimioterapia foram expostos a amivantamab na progressão. Em relação aos efeitos colaterais, paroníquia e rash foram comuns (>50%) nos pacientes que receberam amivantamab e a incidência de reação infusional neste grupo foi de 42%, ressaltando a importância do treinamento da equipe multidisciplinar nos cuidados para administração desta droga.

Efeitos adversos sérios foram reportados em 37% do grupo amivantamab + quimioterapia versus 31% no grupo de apenas quimioterapia. Descontinuação de amivantamab por efeitos adversos ocorreu em 7% dos pacientes.

Em resumo, a associação de amivantamab à quimioterapia na primeira linha mostrou ganho em sobrevida livre de progressão, assim como melhores taxas de resposta, trazendo uma potencial mudança no padrão de tratamento nos pacientes com inserção em exon 20 de EGFR.

Esses resultados reforçam ainda a importância da realização de NGS em todo paciente com Adenocarcinoma de pulmão metastático recém diagnosticado, já que a pesquisa por PCR pode não detectar estas inserções em até 50% dos casos.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia

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