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Real Oncologia

ESMO 2023 – CONGRESSO EUROPEU DE ONCOLOGIA CLÍNICA – ATUALIZAÇÕES EM TRATAMENTO DE TUMORES DE MAMA INICIAIS – ESTUDOS MONARCHE e KEYNOTE-522

*Artigo comentado por Dra. Por Cecília Arraes

Dia 20 de outubro. Começa o Congresso Europeu de Oncologia Clínica de 2023 e o Real Oncologia trará algumas das principais novidades.

Nas sessões do primeiro dia, tivemos atualizações de dois importantes estudos no cenário de Câncer de Mama Inicial.

Primeiro estudo apresentado foi a atualização dos dados de Sobrevida Livre de Progressão em 5 anos do abemaciclibe adjuvante no estudo monarchE. Para quem não recorda, esse trabalho avaliou o benefício do uso de 02 anos de abemaciclibe (inibidor de ciclina 4/6) associado a hormonioterapia nas pacientes hormonais positivas, HER-2 negativas, com câncer de mama inicial com risco mais elevado de recidiva (04 ou mais linfonodos patológicos positivos, ou 1-3 linfonodos associado ao fato de ser G3 ou T> 5cm). Os desfechos de Sobrevida livre de doença invasiva (SLDI) e Sobrevida livre de metástase a distância (SLMD) foram confirmados. Na população com intenção de tratar, aos 54 meses de acompanhamento, o benefício de abemaciclibe foi sustentado, com HR 0,68 para o desfecho de SLDI e de 0,67 para SLMD. O benefício de abemaciclibe se manteve além dos dois anos de uso, atingindo um ganho absoluto de 7,6% para SLDI e 6,7% de SLMD aos 5 anos quando comparados a 6,0% e 5,3% aos 4 anos e 4,8% e 4,1% aos 3 anos. Aos 5 anos, o grupo que recebeu Abemaciclibe persistiu com redução do número de mortes, embora ainda sem significância estatística (208 versus 234 – HR 0,90).

Assim sendo, aos 5 anos, o abemaciclibe persiste demonstrando benefício, confirmando seu efeito carryover, com ganho além do período de uso da medicação, talvez explicado pelo fato de o Abemaciclibe ser tomado diariamente, sem pausa, causando efeito citotóxico sobre a célula, diferente dos outros inibidores de ciclina. Esses dados fortalecem a indicação do uso de Abemaciclibe neste cenário de pacientes de alto risco. Os dados de Sobrevida global seguem imaturo, mas a favor da medicação. O seguimento continua.

A segunda apresentação relevante de hoje fortaleceu os dados do Keynote 522. Foi apresentado os dados atualizados de 05 anos de seguimento do benefício em sobrevida livre de progressão (SLP). Esse trabalho de fase III modificou a prática clínica desde 2020, com adição de Imunoterapia a quimioterapia baseada em platina no cenário neoadjuvante em Câncer de Mama localmente avançado triplo negativo. Com seguimento de 05 anos, os dados apresentados na ESMO 2023 vimos apenas 18,5% dos pacientes no braço do pembrolizumabe versus 27,7% no braço placebo apresentarem recidiva (HR 0,63). Aos 63 meses, 81,3% versus 72,3% dos pacientes estavam livres de recidiva.  O principal sítio de recorrência foi metástase a distância, que foi o local de recorrência em 9,2% das pacientes no braço do pembrolizumabe versus 14,1% no braço placebo, com taxas de sobrevida livre de recorrência a distância aos 5 anos de 84,4% versus 76,8% com HR de 0,64. O benefício se estendeu a todos os subgrupos, independente da expressão de PDL1 ou status linfonodal. Em uma análise exploratória pré-especificada, as taxas de SLP em 5 anos nos grupos Pembrolizumabe e placebo foram 92,2% versus 88,2% em pacientes com pCR (resposta patológica completa) e 62,2% versus 52,3% nos pacientes sem pCR. Apesar de diferença de benefício mais significativo nos pacientes que não atingiram pCR, nessa atualização, houve aumento na diferença de benefício no que apresentaram pCR (1,9%x 4%) em relação a análise em 3 anos. Sendo assim, pembrolizumabe segue confirmando benefício em sobrevida livre de progressão aos 5 anos de seguimento, independente de estadiamento, status linfonodal, expressão de PDL1 ou presença ou ausência de pCR.

Para finalizar, tivemos a apresentação de dois trabalhos com resultado positivo da associação de Imunoterapia com Quimioterapia em tumores receptores hormonais. No processo artigo, vamos comentar os dois trabalhos com imunoterapia neste cenário – Checkmate 7FL e o Keynote 756.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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