Apresentado na última ASCO annual meeting e com publicação simultânea no Journal of Clinical Oncology, o estudo de fase III ATHENA-MONO avaliou o benefício da manutenção do inibidor de PARP Rucaparibe em pacientes com câncer de ovário recém diagnosticados após tratamento com quimioterapia de primeira linha.
Esse estudo duplo cego, incluiu 538 pacientes com doença estádio III e IV de alto grau recrutados em 24 países na Ásia, Austrália/Nova Zelândia, Europa e América do Norte que haviam sido submetidos a citorredução cirúrgica (incluindo ressecção R0) e que haviam respondido a primeira linha de quimioterapia baseada em douplet de platina.
Pacientes foram randomizados num desenho 4:1 entre outubro de 2018 e setembro de 2020 para receber Rucaparibe 600 mg duas vezes ao dia (n= 427) ou placebo (n=111) por até 24 meses. O endpoint primário do estudo foi sobrevida livre de progressão, avaliada inicialmente na população HRD positiva (BRCA mutadas/BRCA selvagem com deficiência de recombinação homóloga elevada) e na população geral do estudo.
A mediana de seguimento do estudo foi de 26,1 meses (95% IC – 25,8 – 26,9 meses) no grupo do Rucaparibe e 26,2 meses no braço placebo (95%IC 24-27,7 meses).
Entre 185 que receberam inibidor de PARP vs 49 pacientes que fizeram uso de placebo no grupo HRD positivo, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 28,7 meses (95%IC – 23 meses – não atingida) com Rucaparibe e 11,3 meses (95%IC -9,1-22,1 meses) com placebo (HR: 0,44, p:0,0004).
Na população geral por intenção de tratamento o estudo também foi positivo com mediana de sobrevida livre de progressão de 20,2 meses (95%IC- no grupo Rucaparibe 15,2-24,7 meses) no grupo Rucaparibe e 9,2 meses no grupo placebo. Percentual de pacientes livres de recorrência aos 24 meses foram 45,1% e 25,4% em favor de Rucaparibe.
Na população HRD negativa o estudo também apresentou desfecho favorável a Rucaparibe com mediana de sobrevida livre de progressão de 12,1 vs 9,1 meses (HR:0,65, 95% IC 0,45-0,95).
Eventos adversos de qualquer grau ocorreram em 96,7% dos pacientes em uso de Rucaparibe e 92,7% no grupo placebo. Eventos grau ≥ 3 ocorreram em 60,5% vs 22,7% dos pacientes respectivamente, sendo os eventos mais frequente com uso de Rucaparibe, anemia (28,7%), neutropenia (14,6%) e aumento das transaminases (10,6%). No grupo Rucaparibe síndrome mielodisplásica foi reportada em um paciente durante o tratamento e leucemia mieloide aguda foi relatada também neste grupo durante o seguimento após término do tratamento.
Rucaparibe é, portanto, mais uma opção de inibidor de PARP que pode ser utilizado após a primeira linha do tratamento do câncer de ovário com desfechos favoráveis tanto na pulação HRD positiva quanto na população proficiente para HRD.