*Comentado por Dra. Carolina Ferraz
Imunoterapia com pembrolizumabe já havia demonstrado eficácia em câncer de colo uterino persistente, recorrente ou metastático em estudos já previamente publicados. Neste estudo de fase 3, foi avaliada a eficácia e segurança de adicionar pembrolizumabe ao protocolo padrão de quimiorradioterapia para câncer de colo uterino localmente avançado.
Este estudo avaliou 1060 paciente com diagnóstico de câncer de colo uterino sem tratamentos prévios como cirurgia, quimiorradioterapia ou terapia sistêmica. Dentro dessa amostra 596 pacientes apresentavam doença estádio III -IVA pelos critérios da FIGO 2014 e 462 pacientes tinham doença em estádios mais iniciais IB2-IIB, com linfonodos positivos.
Estas pacientes foram randomizadas num desenho 1:1 para receber pembrolizumabe 200 mg a cada 03 semanas por 05 ciclos associada a quimiorradioterapia ou placebo 05 ciclos a cada 03 semanas associada ao mesmo tratamento definitivo, posteriormente as pacientes seguiriam com 15 ciclos de pembrolizumabe ou placebo.
O regime de quimiorradioterapia envolvia o esquema tradicional de cisplatina semanal por 05 ciclos concomitante a radioterapia externa seguida por braquiterapia.
No grupo das pacientes com doença mais avançada III-IVA, a mediana de idade foi 52 anos ,93% possuíam tumores com expressão de PDL1 por CPS ≥ 01 E 70% tinham linfonodos positivos pélvicos e/ou para aórticos.
Os desfechos primários do estudo foram sobrevida livre de progressão e sobrevida global. A avaliação dos efeitos adversos e perfil de segurança do tratamento também foram objetivos de análise do estudo.
Na avaliação dos resultados, o estudo demonstrou benefício estatisticamente significativo na sobrevida livre de progressão da população geral em favor do acréscimo da imunoterapia ao tratamento definitivo de quimiorradioterapia. Análise exploratória das pacientes com doença mais avançada estádio III-IVA demonstraram benefício ainda mais robusto, HR de sobrevida livre de progressão de 0,59, evidenciado uma redução de 41% do risco de progressão com o uso associado do pembrolizumabe 9IC 95%: 0,43-0,82) e taxas de sobrevida livre de progressão de 81% aos 12 meses de seguimento comparado a 70% na população que fez uso do placebo. Já na análise de subgrupo da doença mais inicial de IB2-IIB o benefício de sobrevida livre de progressão foi bem menor e não atingiu significância estatística, indicando que o impacto na população geral foi atribuído a pacientes com doença localmente avançada ao diagnóstico. Os dados de sobrevida global são ainda imaturos.
Na avaliação de segurança, os eventos adversos mais comuns ( ≥10%) ocorreram principalmente na população que fez uso da imunoterapia , sendo os mais comuns náuseas, diarreia , vômitos, infecção do trato urinário, fadiga , hipotireoidismo, constipação, inapetência, dor abdominal , febre , hipertireoidismo, erupção cutânea, dor pélvica.
O estudo modificou conduta de tratamento da prática oncológica e em 29 de abril de 2024 a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o uso de pembrolizumabe combinado a quimiorradioterapia para tratamento de pacientes com câncer de colo de útero estágio III-IVA pela classificação da FIGO 2014.
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