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Real Oncologia

Artigo site – Keynote 966 – Pembrolizumabe associado a gencitabina e cisplatina no tratamento de primeira linha dos pacientes com neoplasia do trato biliar metastático e irressecável

*Comentado por Dra. Carolina Ferraz

            Os tumores de vias biliares são um grupo de neoplasias raras e agressivas com características heterogêneas que podem envolver desde o colangiocarcinoma intra-hepáticos, o extra-hepático, os tumores peri hilares e de vias biliares distais, a neoplasia de vesícula biliar e os tumores da ampola duodenal. Durante décadas, o padrão de tratamentos dessas neoplasias permaneceu inalterado e baseava-se no uso de quimioterapia dupla com protocolo gemcitabina e cisplatina, diversos estudos que tentavam intensificar o efeito da quimioterapia haviam sido por muitos anos testados e falharam em demostrar ganho de sobrevida.

            O cenário de tratamento começou a mudar em 2023 com a publicação dos resultados do estudo TOPAZ que mostrou benefício no acréscimo do uso de durvalumabe a terapia padrão já consagrada. Nesta mesma linha de acréscimo de uso da imunoterapia a terapia inicial de primeira linha, foi apresentado também em 2023 na American Association For Cancer Research AACR 2023, os dados do estudo Keynote 966. Um estudo robusto, de fase III, randomizado, duplo cego, que tinha por objetivo avaliar o uso de pembrolizumabe mais gemcitabina e cisplatina versus gemcitabina e cisplatina nos pacientes com carcinoma de vias biliares avançado ou irressecável.

            O desfecho primário de avaliação do estudo foi sobrevida global e os endpoint secundários foram sobrevida livre de progressão, taxa de resposta e duração de resposta. A avaliação de dados do estudo evidenciou sobrevida global mediana de 12,7 meses para pembro + gem/cis versus 10,9 meses no grupo gen/cis isolado. A sobrevida livre de progressão (SLP) mediana foi de 6,5 meses para pembro + gen/cis versus 5,6 meses para quimioterapia + placebo, a SLP em 12 meses foi 25,4% versus 19,8% em favor do grupo da imunoterapia, e a duração de resposta foi de 28,7% para pembro + quimioterapia versus 28,5% para placebo + quimioterapia.

A incidência de eventos adversos imunomediados ocorreu em 22,1% versus 12,9%, em favor do braço que acrescentou o uso da imunoterapia. Mas o perfil de segurança foi considerado manejável e dentro do previsto.

            Assim como no estudo com durvalumabe, os autores desses estudo concluíram que o acréscimo da imunoterapia com pembrolizumabe forneceu uma melhora estatisticamente significativa de sobrevida global, com um perfil de segurança esperado e administrável, para pacientes com neoplasia avançada de vias biliares, colocando o esquema de pembrolizumabe com gemcitabina e cisplatina como mais uma das novas opções de tratamento de primeira linha nesse cenário de pacientes.

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