Comentado por Dra. Carolina Ferraz*
Futibatinibe é um inibidor de tirosina quinase de última geração com ligação covalente sobre os receptores de FGFR 1-4, que já demonstrou previamente atividade antitumoral em pacientes com alterações do FGFR e atividade pré-clínica contra mutações de resistência adquiridas associadas a inibidores de FGFR dependentes de ATP. O Futibatinibe tem como alvo principal as alterações de fusão do FGFR2, alvo promissor no tratamento de tumores de vias biliares, que podem ser encontradas em cerca de 14 % dos colangiocarcinomas. Esta neoplasia ainda apresenta restritas opções terapêuticas e desfechos de baixa sobrevida o que leva a necessidade de investimento em pesquisas para inovações de tratamento neste cenário.
Neste estudo multinacional, fase 2, aberto, de grupo único, publicado na revista New England Journal of Medicine em 19 de janeiro de 2023, foram recrutados pacientes com colangiocarcinoma intra-hepático irressecável ou metastático com fusão ou rearranjo do FGFR2 e progressão de doença depois de uma ou mais linhas prévias de tratamento sistêmico (excluindo inibidores de FGFR). Os pacientes recebiam Futibatinibe na dose de 20 mg via oral uma vez ao dia em regime contínuo. O desfecho primário foi resposta objetiva (parcial ou completa) e os desfechos secundários incluíram duração da resposta, sobrevida livre de progressão, sobrevida global, segurança e desfechos reportados pelos pacientes.
Entre abril de 2018 e novembro de 2019, um total de 103 haviam sido recrutados para receber Futibatinibe. No momento da análise 43 dos 103 pacientes haviam tido alguma resposta com uso da droga (42%, 95% intervalo de confiança, 32-52) e a mediana de duração da resposta foi de cerca de 9,7 meses. A resposta foi percebida em todos os subgrupos avaliados, incluindo pacientes previamente tratados, idosos e pacientes com mutação de TP53. Após um seguimento mediano de 17,1 meses, a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 09 meses e sobrevida global foi de 21,7 meses. Eventos adversos grau 03 mais frequentes foram hiperfosfatemia (em 30% dos pacientes), aumento dos níveis de aminotransferase aspartato (em 07 % dos pacientes), estomatite (em 06%) e fadiga (em 06%). A descontinuidade do tratamento relacionada a eventos adversos ocorreu em 02% dos casos e não foram relatas mortes associadas ao tratamento. A qualidade de vida relatada pelos pacientes foi descrita como mantida ao longo do tratamento.
Em face desses resultados do estudo FOENIX-CCA2 , para pacientes com diagnóstico de colangiocarcinoma intra-hepático e fusões ou rearranjos de FGFR2 previamente tratados, o uso de Futibatinibe representa uma opção com benefício clínico mensurável e viável, principalmente quando consideramos que esses pacientes não têm outras opções disponíveis após a primeira linha de tratamento com quimioterapia.
*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.