São opções aprovadas no Brasil no tratamento do câncer de próstata metastático resistente à castração: docetaxel, abiraterona, enzalutamida, cabazitaxel e radio-223. O Lutécio radioativo marcado com PSMA (Lu-PSMA-617) entrega radiação beta em locais captantes de PSMA e já havia mostrado resultados encorajadores em estudo fase II de braço único, com redução do PSA ≥ 50% em 64% dos pacientes neste cenário e com baixa toxicidade.
O THERAP-ANZUP é um estudo australiano apresentado pelo Dr. Michael Hofman no simpósio de tumores genitourinários da sociedade americana de oncologia clínica e publicado na The Lancet em 27 de fevereiro de 2021.
É o primeiro estudo randomizado comparando o uso do Lu-PSMA-617 com uma terapia ativa (cabazitaxel) em pacientes com câncer de próstata resistente à castração após progressão à quimioterapia (docetaxel). Os pacientes elegíveis deveriam ter pelo menos um sítio de captação do PSMA com SUV > 20 e foram excluídos pacientes com alguma área captante de FDG e não captante de PSMA.
Foram randomizados 200 pacientes (1:1) para Lu-PSMA-617 8,5 GBq IV a cada 6 semanas por até 6 ciclos ou cabazitaxel 20mg/m2 IV a cada 3 semanas por até 10 ciclos. O endpoint primário do estudo foi redução do PSA ≥ 50% do basal e os endpoints secundários foram sobrevida livre de progressão do PSA e eventos adversos. Todos os pacientes haviam recebido docetaxel previamente e 90% dos pacientes em cada grupo também já havia recebido um novo antiandrogênico oral (abiraterona ou enzalutamida).
O Lu-PSMA-617 conseguiu resposta do PSA ≥ 50% em 66% dos pacientes, bem superior ao alcançado pelo cabazitaxel, 37%, sendo encontrada uma diferença estatisticamente significativa no endpoint primário do estudo.
Resposta radiológica também foi superior no braço do Lu-PSMA-617, com 49% dos pacientes apresentando resposta vs 24% dos pacientes no braço do cabazitaxel.
A sobrevida livre de progressão (elevação do PSA + progressão radiológica) foi superior no braço do LU-PSMA-617 (HR 0,63, 95% IC 0,46 a 0,86, p = 0,0028).
Os eventos adversos graus 3-4 foram mais comuns com a quimioterapia (53%, mais comuns neutropenia, anemia e diarreia) quando comparados com o uso do Lu-PSMA-617 (33%, sendo os mais comuns trombocitopenia e anemia).
Resultados reportados pelos pacientes (PRO) foram mais favoráveis ao Lu-PSMA-617.
Apesar de ainda não ter resultados de sobrevida global, o Lu-PSMA-617 é uma nova alternativa de tratamento para pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração. Estudo de fase III (VISION trial) encontra-se em andamento.