*Comentado por Carolina Zitzlaff
Foram recém publicados no Journal of Clinical Oncology os dados atualizados do estudo TRIPLETE, um ensaio fase 3, randomizado, que comparou mFOLFOXIRI e panitumumab versus mFOLFOX e panitumumab em 1ª linha em pacientes com Cancer Colorretal metastático RAS/BRAF selvagens.
Apesar de FOLFOXIRI e bevacizumab já ser considerada uma opção de tratamento na 1ª linha, nos pacientes com Ca colorretal Ras/BRAF selvagens, cólon esquerdo, o padrão segue sendo a combinação de FOLFOX ou FOLFIRI com anti-EGFR, sendo ainda incerto o papel do tratamento intensificado em 1ª linha nesse cenário.
Com objetivo de avaliar se há ganho nessa estratégia, foi desenvolvido o TRIPLETE, cujas primeiras análises não haviam atingido desfecho primário, como Taxa de resposta objetiva ou Sobrevida livre de progressão.
Tratou-se de estudo prospectivo, aberto, fase 3, multicêntrico, italiano. Os pacientes eram estratificados de acordo com OS, lateralidade e sítio de metástases e sobrevida global era um dos desfechos primários. 88% da população tinha tumores em Colon esquerdo ou reto e apenas 12% e Colon direito. Foram randomizados 435 pacientes na população por intenção de tratar e, após um follow up médio de 60.2. meses, a SG foi de 41.1 meses no grupo experimental versus 33.3 meses (HR 0.79), sem diferenças significativas nas análises de subgrupo.
A taxa de resposta objetiva foi de 75% vs 78% nos grupos experimental e controle, respectivamente. Um dado interessante é o de sobrevida pós progressão: Entre os 365 pacientes vivos após a 1ª progressão, a PPS foi de 24.6 meses versus 17.7 meses e a proporção de pacientes que recebeu linhas subsequentes de tratamento foi semelhante: 73 e 71% na segunda linha e 51 e 49%.
Em resumo, este follow up de 5 anos traz evidência de ganho robusto em sobrevida global quando comparados mFOLFOXIRI + panitumumab veruss mFOLFOX + panitumumab em pacientes com Cancer Colorretal metastático avançado, irressecável, RAS/BRAF selvagens, com uma redução de risco de morte de 18% e um ganho absoluto de 7.8 meses.
Com a ressalva de se tratar de um desfecho secundário, este é um resultado inesperado diante da ausência de ganhos nos demais desfechos como taxa de resposta e Sobrevida livre de progressão. Uma das hipóteses para este resultado é que os pacientes se apresentem com menor volume de doença no momento da 1ª progressão de doença.
Uma limitação que pode ter contribuído para a ausência de dados de ganho em taxa de resposta é que neste estudo a avaliação pelo RECIST 1.1 não foi submetida a revisão central cega, algo que poderia trazer uma avaliação menos enviesada. Além disso, não houve uma avaliação detalhada de parâmetros prognósticos.
Para corroborar os resultados do TRIPLETE, o Fase 2 PANIRINOX demonstrou recentemente um ganho em SG de 9 meses, mas sem significância estatística, para terapia tripla em pacientes com metástases extra-hepáticas.
Em suma, levando em consideração também o perfil de toxicidade do esquema e custos financeiros, estes resultados trazem o retorno da discussão do esquema mFOLFOXIRI com panitumumab no cenário de 1ª linha.
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