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Real Oncologia

ESMO 2025: Durvalumabe em combinação com BCG para câncer de bexiga não músculo invasivo (POTOMAC), de alto risco e não testado em BCG: análise final de um ensaio clínico randomizado, aberto, de fase 3.

*Comentado por Dr. Lucas Campos

O estudo POTOMAC, publicado no The Lancet em outubro de 2025, avaliou a eficácia da combinação de durvalumabe com BCG em pacientes com câncer de bexiga não músculo-invasivo (NMIBC) de alto risco e virgens de BCG, buscando aprimorar os resultados frente à terapia padrão.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado, aberto e de fase 3, que incluiu 1.018 pacientes com idade ≥18 anos, submetidos à ressecção transuretral (TURBT). Os participantes foram distribuídos em três braços:

Durvalumabe + BCG indução e manutenção (n=339);

Durvalumabe + BCG apenas indução (n=339);

BCG indução e manutenção (controle; n=340).

O objetivo primário foi sobrevida livre de doença (DFS), comparando o grupo de durvalumabe + BCG completo com o grupo controle. Após seguimento mediano de 60,7 meses, ocorreram 67 (20%) eventos de DFS no grupo combinado versus 98 (29%) no controle, correspondendo a uma redução de 32% no risco de recorrência ou morte (HR 0,68; IC95% 0,50–0,93; p=0,015). A taxa de pacientes vivos e livres de doença em 24 meses foi 86,5% versus 81,6%, respectivamente. O benefício foi consistente em subgrupos pré-especificados, incluindo pacientes com doença papilar de alto risco. Já o braço com durvalumabe e apenas indução de BCG não mostrou benefício significativo (HR 1,14; IC95% 0,86–1,50; p=0,35), reforçando o papel essencial da fase de manutenção.

Entre os pacientes com carcinoma in situ, as taxas de resposta completa em 6 meses foram elevadas e semelhantes entre os grupos: 93% no grupo combinado, 83% no braço de indução e 93% no controle. A sobrevida global não foi estatisticamente diferente (HR 0,80; IC95% 0,53–1,20), sem prejuízo associado ao uso do imunoterápico.

Em relação à segurança, eventos adversos relacionados ao tratamento ocorreram em 89%, 80% e 72% dos pacientes nos grupos combinados, de indução e controle, respectivamente. Eventos de grau 3–4 foram mais comuns com durvalumabe (21% vs. 4% no controle), mas sem óbitos relacionados. Os efeitos mais frequentes incluíram disúria (33%), hematúria (24%), polaciúria (21%), e toxicidades imuno-mediadas manejáveis, como hipotireoidismo (10%) e hepatite (2%). A qualidade de vida, medida pelo EORTC QLQ-C30, mostrou discreta queda no grupo experimental (diferença média ajustada –2,7 pontos).

Os resultados confirmam que um ano de durvalumabe combinado a dois anos de BCG (indução e manutenção) oferece melhora estatisticamente significativa e clinicamente relevante na DFS, com perfil de segurança compatível com os agentes isolados. O benefício não foi observado quando o BCG foi administrado apenas na fase de indução, destacando a importância do regime completo.

Em síntese, o POTOMAC estabelece evidência robusta de que a inibição de PD-L1 com durvalumabe potencializa a eficácia do BCG em pacientes BCG-naive com NMIBC de alto risco, sem comprometer a segurança. Esses achados posicionam a combinação como potencial novo padrão terapêutico para essa população, atendendo a uma necessidade clínica não suprida e alinhando-se aos resultados previamente observados com outros inibidores de checkpoint, como o sasanlimabe no estudo CREST.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia

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