*Cometado por Dra Paloma Porto
O New England Journal of Medicine publicou em (07 de setembro de 2025) os resultados finais do ensaio clínico de fase III MARIPOSA, que avaliou a combinação de amivantamabe (anticorpo biespecífico anti-EGFR/MET) com lazertinibe (inibidor de tirosina-quinase de terceira geração) como tratamento inicial em pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) avançado, portadores de mutações do EGFR (deleção do éxon 19 ou mutação L858R).
Até o momento, o osimertinibe é considerado o padrão-ouro no cenário de primeira linha. O MARIPOSA trouxe, pela primeira vez, evidências robustas de superioridade em sobrevida global (OS) em relação ao osimertinibe isolado.
Os resultados finais mostraram que a combinação reduziu em 25% o risco de morte em comparação com o tratamento padrão. A mediana de sobrevida global não foi alcançada no braço amivantamabe + lazertinibe, enquanto no grupo tratado com osimertinibe a mediana foi de 36,7 meses. Em análise de marco temporal, 60% dos pacientes estavam vivos em três anos com a combinação, em comparação a 51% com o tratamento isolado. Outro dado relevante foi o prolongamento expressivo do tempo até a progressão sintomática, que chegou a 43,6 meses com a combinação, em comparação a 29,3 meses com osimertinibe.
O estudo também evidenciou benefício importante no controle do sistema nervoso central. A taxa de sobrevida livre de progressão intracraniana foi de 36% no braço da combinação, contra apenas 18% no braço do osimertinibe, reforçando o potencial da estratégia para prevenir ou retardar metástases cerebrais, que são frequentes nesses pacientes.
Em termos de segurança, apesar de o perfil de toxicidade permanecer consistente com mecanismos de ação conhecidos, foi observado que 80 % dos pacientes tratados com amivantamabe + lazertinibe apresentaram ao menos um evento adverso de grau 3 ou superior, comparado a 52 % no grupo que recebeu osimertinibe. Em relação aos tipos específicos de eventos adversos de maior gravidade (grau ≥ 3), os mais frequentemente relatados incluíram rash (17 %), paroníquia (12 %), dermatite acneiforme (9 %), embolia pulmonar (9 %) e elevação do TGP (ou ALT) (7 %).
Em janeiro de 2025, a Comissão Europeia havia aprovado a combinação de amivantamabe com lazertinibe como tratamento de primeira linha para CPNPC avançado com mutação em EGFR, com base nos dados iniciais do MARIPOSA. Agora, com a publicação dos dados finais de sobrevida global, a comunidade médica reforça que essa combinação deve se consolidar como novo padrão de tratamento, superando o osimertinibe isolado — especialmente em virtude de sua eficácia, do prolongamento do tempo sem sintomas e do melhor controle intracraniano, fatores que impactam positivamente a qualidade de vida dos pacientes.
Referência: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2503001
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