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Real Oncologia

Estudo MATTERHORN: adição de durvalumabe a FLOT no tratamento perioperatório de pacientes com câncer gastroesofágico

Comentado por Dra. Samara Aquino*

                São estimados 21.480 novos casos de câncer de estômago no Brasil no ano de 2025, este é 5º tumor mais frequente no nosso país, apresentando as maiores taxas na região sul. O tratamento com FLOT (fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel) perioperatório é associado com melhora de sobrevida, contudo muitos pacientes ainda apresentam recorrência de doença. Já é comprovado que a adição de imunoterapia a quimioterapia no tratamento de primeira linha dos pacientes com tumores de junção gastroesofágica (JEG) é associada a um aumento de sobrevida global (SG), contudo o papel de imunoterapia no tratamento perioperatório ainda era incerto.

                O estudo MATTERHORN é um estudo de fase III, randomizado, duplo-cego que avaliou a adição de durvalumabe (um anti-PD-L1) ao esquema FLOT no tratamento perioperatório dos pacientes com adenocarcinoma de estômago ou JEG, estadiamento II a IVa ressecável. Foram incluídos 948 pacientes, randomizados de 1:1 para receber tratamento padrão com FLOT ou FLOT associado a durvalumabe, com manutenção de durvalumabe por 1 ano. O desfecho primário foi sobrevida livre de evento (SLE – tempo da randomização até evento ou morte) e desfechos secundários incluíam SG, resposta patológica completa (pCR) e sobrevida livre de doença (SLD – tempo até recidiva de doença em pacientes com ressecção R0).

                Quanto as características dos pacientes cerca de 32% em cada braço tinham adenocarcinoma de JEG, 25% eram tumores T4, 70% com linfonodos positivos, 90% com PD-L1 positivo (por TAP, Ventana SP 263) e 5% apresentavam instabilidade de microssatélite (MSIh). Noventa e dois porcento dos pacientes tiveram cirurgia R0. O estudo atingiu seu objetivo primário de aumento de SLE, com mediana não alcançada no braço com imunoterapia versus 32,8 meses no braço de quimioterapia isolada (HR 0.71, IC 95% 0,58-0.88, p<0.001), com 67% dos pacientes livres de evento em 2 anos no braço de quimio e imuno versus 59% no braço FLOT. Análise de subgrupo evidenciando benefício para todos, incluindo idosos e PD-L1 negativo. Houve aumento de pCR, sendo alcançada em 19% dos pacientes que fizeram durvalumabe versus 7% no braço de quimioterapia. Também houve benefício em SLD para o braço experimental, com mediana não alcançada versus 39 meses com FLOT (HR 0.7, IC 95% 0.53-0.93). A adição do durvalumabe não prejudicou a administração dos ciclos de FLOT, nem foi relacionado a atrasos na cirurgia.

                Em relação a segurança, não houve aumento significativo de toxidade no braço de imunoterapia, apresentando taxas semelhantes entre os 2 grupos, com EA grau 3 ou 4 ocorrendo em cerca de 60% dos pacientes nos dois braços. Houve uma maior porcentagem de eventos adversos que levaram a descontinuação de qualquer um dos tratamentos no braço com o anti-PD-L1, 30% versus 23%, também com um maior número de EA imunorrelacionados no braço com imunoterapia, 23% versus 7%, porém sem aumento significativo de eventos graves. Os eventos adversos mais comuns foram diarreia, náusea, neutropenia e fadiga, sendo neutropenia o EA grau 3 ou 4 mais comum.

                Como conclusão, FLOT e durvalumabe significativamente melhoraram SLE em pacientes com adenocarcinoma de estômago e JEG. Dados de SG são encorajadores, porém ainda imaturos. Sendo esse um tratamento a ser considerado o novo padrão para esses pacientes.

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