*Escrito pelo Dr. Fernando Baracho
Publicado em 11 de dezembro de 2024 no New England Journal of Medicine e apresentado no San Antonio Breast Cancer Symposium deste ano, o estudo EMBER-3 apresenta resultados promissores sobre o uso do imlunestrant, um degradador seletivo do receptor de estrogênio (SERD) capaz de penetrar a barreira hematoencefálica, no câncer de mama avançado positivo para receptores hormonais (HR+) e negativo para HER2.
Contexto e Objetivo
O câncer de mama HR+/HER2- é o subtipo mais comum de câncer de mama avançado. O tratamento desta doença consiste no uso de terapia endócrina até que todas as linhas possíveis dessa via estejam esgotadas. A resistência à terapia com inibidores da aromatase e inibidores de CDK4/6 constitui um desafio significativo. O imlunestrant, um SERD oral de nova geração, oferece uma inibição contínua do receptor de estrogênio, mesmo em casos com mutações do gene ESR1.
O estudo fase 3 EMBER-3 teve como objetivo avaliar a eficácia do imlunestrant em monoterapia e em combinação com abemaciclibe, comparado à terapia endócrina padrão, em pacientes com câncer de mama HR+/HER2- que progrediram durante ou após o tratamento com inibidores de aromatase.
Metodologia
O estudo envolveu 874 pacientes randomizados em três grupos:
- Imlunestrant (400 mg/dia);
- Terapia endócrina padrão (exemestano ou fulvestranto);
- Imlunestrant + Abemaciclibe (150 mg duas vezes ao dia).
Os desfechos primários incluíram a sobrevida livre de progressão (SLP) avaliada por investigadores entre:
- Imlunestrant vs. terapia padrão em pacientes com mutação do ESR1;
- Imlunestrant vs. terapia padrão em toda a população;
- Imlunestrant + Abemaciclibe vs. Imlunestrant.
Resultados
- Imlunestrant vs. Terapia Padrão (pacientes com ESR1 mutado):
- A mediana de SLP foi de 5,5 meses no grupo imlunestrant vs. 3,8 meses na terapia padrão (P<0,001).
- A análise de sobrevida restringida aos 19,4 meses mostrou uma diferença de 2,6 meses entre os grupos.
- Imlunestrant vs. Terapia Padrão (população geral):
- A SLP mediana foi semelhante entre os grupos: 5,6 meses para o imlunestrant vs. 5,5 meses para a terapia padrão (HR = 0,87; P=0,12).
- Imlunestrant + Abemaciclibe vs. Imlunestrant:
- A combinação apresentou uma SLP significativamente maior: 9,4 meses vs. 5,5 meses (HR = 0,57; P<0,001).
- O benefício foi consistente independentemente do status de mutação do ESR1.
Segurança
O perfil de segurança do imlunestrant foi favorável, com eventos adversos principalmente de baixo grau, como fadiga (22,6%), diarreia (21,4%) e náuseas (17,1%). A combinação com abemaciclibe, embora eficaz, teve um aumento na incidência de eventos grau ≥3, como neutropenia (19,7%) e diarreia (8,2%).
Conclusão
O estudo EMBER-3 demonstrou que o imlunestrant melhora significativamente a SLP em pacientes com mutações do ESR1, oferecendo uma opção terapêutica oral promissora. A combinação com abemaciclibe mostrou um aumento expressivo na eficácia, independentemente do status de mutação, posicionando-se como uma alternativa relevante para pacientes com câncer de mama HR+/HER2- avançado após falha de terapia endócrina prévia, sobretudo em pacientes não expostas a inibidor de ciclina previamente.
Referência:
- Jhaveri K.L., Neven P., Casalnuovo M.L., et al. Imlunestrant with or without Abemaciclib in Advanced Breast Cancer. N Engl J Med. 2024; DOI: 10.1056/NEJMoa2410858.