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Real Oncologia

Transplante hepático mais quimioterapia versus apenas quimioterapia em pacientes com metástases hepáticas permanentemente irressecáveis de câncer colorretal (TransMet): resultados de um estudo multicêntrico, aberto, prospectivo e randomizado.

*Comentado por Dra Paloma Porto

Apesar dos avanços do tratamento quimioterápico, os pacientes com metástases hepáticas de câncer colorretal irressecáveis, mesmo após tratamento de conversão, terão um prognostico desfavorável associado a uma baixa sobrevida. A taxa de sobrevivência em 5 anos para pacientes com metástases hepáticas colorretais irressecáveis ​​(LMC) permanece em torno de 10%.

Pensando nesse cenário, foi realizado um estudo para avaliar o papel do transplante hepático associado a quimioterapia e seu impacto em modificar essa sobrevida global. Os resultados foram apresentados este ano em congressos internacionais (ASCO e ESMO GI).

O TransMet foi um estudo multicêntrico, aberto, randomizado, realizado em 20 centros na Europa. Os critérios de inclusão foram pacientes de 18 a 65 anos, ECOG  0-1, com metástases hepáticas de câncer colorretal permanentemente irressecável com primário ressecado, BRAF não mutado, que respondeu a quimioterapia sistêmica com até 3 linhas de tratamento há mais de 3 meses e sem doença extra-hepática.

Os pacientes foram randomizados (1:1) para receberam transplante hepático mais quimioterapia ou apenas quimioterapia.

Na randomização, o grupo do transplante mais quimioterapia recebeu uma média de 21 ciclos de quimioterapia (18 – 29) versus 17 ciclos (12 – 24) do grupo de apenas quimioterapia em até 3 linhas de tratamento. Na primeira linha de tratamento, 64 (68%) dos 94 pacientes receberam quimioterapia com duas drogas e 30 (32%) dos 94 pacientes receberam terapia com regime triplo. E 76 (80%) dos 94 receberam terapia alvo.

Os pacientes transplantados receberam imunossupressão e quimioterapia pós-operatória, e o grupo de quimioterapia continuou a quimioterapia. O endpoint primário foi a sobrevida global em 5 anos.

Entre fevereiro de 2016 e julho de 2021, 94 pacientes foram randomizados sendo 47 no grupo de transplante hepático e quimioterapia e 47 no grupo de quimioterapia isolada.

Onze pacientes no grupo de transplante de fígado mais quimioterapia e nove pacientes no grupo de quimioterapia isolada não receberam o tratamento proposto; 36 pacientes e 38 pacientes em cada grupo, respectivamente, foram incluídos na análise por protocolo.

Os pacientes tinham uma média de idade de 54 anos (47,0−59,0), e 55 (59%) eram homens e 39 (41%) eram mulheres. O follow-up médio foi de 59,3 meses. Na população com intenção de tratamento a sobrevida global em 5 anos foi de 56,6% (95% IC 43,2−74,1) no grupo de transplante e quimioterapia e de 12,6% (5,2–30,1) no grupo de quimioterapia isolada (HR 0,37 [95% IC 0,21−0,65]; p=0·0003) e 73,3% (95% IC 59,6–90,0) e 9,3% (3,2–26,8), respectivamente na população por protocolo. Eventos adversos sérios ocorreram em 32 (80%) dos pacientes submetidos ao transplante e em 45 (83%) dos pacientes tratados apenas com quimioterapia. Três pacientes foram re-transplantados e um deles morreu no pós-operatório.

Como conclusão temos que em pacientes selecionados com metástases hepáticas colorretais permanentemente irressecáveis, o transplante de fígado mais quimioterapia melhorou significativamente a sobrevida versus quimioterapia isolada. Estes resultados apoiam a validação do transplante de fígado como uma nova opção para pacientes com metástases hepáticas permanentemente irressecáveis.

Referência:

Liver transplantation plus chemotherapy versus chemotherapy alone in patients with permanently unresectable colorectal liver metastases (TransMet): results from a multicentre, open-label, prospective, randomised controlled trial

Adam, RenéAdam, René et al.

The Lancet, Volume 404, Issue 10458, 1107 – 1118

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