*Comentado por Dr. Lucas Campos
O estudo ABIGAIL, apresentado no Congresso da ESMO 2024, foi um ensaio clínico fase II randomizado que investigou o uso do inibidor de CDK4/6, Abemaciclibe, combinado com terapia endócrina (TE) como tratamento de primeira linha para pacientes com câncer de mama avançado HR+/HER2- com características agressivas.
O objetivo do estudo foi avaliar se essa combinação poderia ser uma alternativa eficaz à quimioterapia em pacientes com risco de progressão rápida da doença. O estudo envolveu 162 pacientes que nunca haviam recebido tratamento sistêmico para o câncer avançado. Esses pacientes foram divididos em dois grupos: um recebeu Abemaciclibe (150 mg duas vezes ao dia) em combinação com Letrozol ou Fulvestranto, enquanto o outro grupo recebeu Paclitaxel por 12 semanas, seguido por Abemaciclibe e TE.
Os pacientes incluídos tinham, pelo menos, um critério de doença agressiva, como metástases viscerais, tumor primário de grau 3, receptor de progesterona negativo, níveis de DHL acima de 1,5 vezes o limite superior da normalidade, ou progressão da doença dentro de 36 meses após o término da terapia endócrina adjuvante.
Os resultados após 12 semanas mostraram uma taxa de resposta global (ORR) de 58,8% no grupo tratado com Abemaciclibe mais TE, comparado a 40,2% no grupo tratado com quimioterapia, com um odds ratio de 2,12 (p=0,019), indicando superioridade da combinação com Abemaciclibe em termos de resposta precoce.
Esse dado é importante porque a quimioterapia ainda é amplamente utilizada como indução em casos de câncer agressivo, mas o estudo ABIGAIL sugere que a combinação com Abemaciclibe pode ser uma alternativa viável. Em relação à segurança, os eventos adversos mais comuns no grupo do inibidor de ciclina incluíram diarreia (68% vs 23% com quimioterapia) e neutropenia (27% vs 29%). No entanto, o perfil de segurança geral favoreceu o tratamento com Abemaciclibe, que apresentou menos efeitos colaterais graves, como neurotoxicidade e alopecia, em comparação com a quimioterapia.
Em conclusão, o estudo ABIGAIL demonstrou que o Abemaciclibe combinado com TE é uma opção eficaz e bem tolerada para o tratamento de primeira linha de pacientes com câncer de mama HR+/HER2- avançado e agressivo, podendo substituir a quimioterapia em alguns casos. Dados de longo prazo sobre a sobrevivência livre de progressão ainda estão sendo coletados para avaliar melhor os benefícios a longo prazo dessa abordagem.
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