*Comentado por Dra. Carolina Cavalcanti
O câncer de pulmão é responsável pela causa da morte de cerca de 1,8 milhões de pessoas no mundo a cada ano. Diante da elevada taxa de mortalidade, esforços globais têm sido empregados para reduzir chances de recorrência dos tumores com estadiamento inicial.
O estudo KEYNOTE-671 avaliou tratamento perioperatório com Pembrolizumabe e quimioterapia com dupla de cisplatina seguido de ressecção cirúrgica e Pembrolizumabe adjuvante para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células estadiamento II e III.
Foi um estudo de fase III, global, realizado em 189 centros médicos. Os pacientes elegíveis eram aqueles com câncer de pulmão de não pequenas células com estadiamento II, IIIA ou IIIB (N2). Eles foram randomizados (1:1) para receber quatro ciclos de Pembrolizumabe 200mg a cada 3 semanas associado a quimioterapia a base de dupla de cisplatina seguido de cirurgia e 13 ciclos de Pembrolizumabe adjuvante OU 4 ciclos de placebo neoadjuvante associado a quimioterapia a base de dupla de cisplatina seguido de cirurgia e 13 ciclos de placebo adjuvante.
A sobrevida global com follow-up mediano de 36 meses foi de 71% no grupo que utilizou Pembrolizumabe e 64% no grupo do placebo, de forma estatisticamente significativa e clinicamente relevante.
A sobrevida livre de eventos foi de 47,2 meses no grupo do Pembrolizumabe e de 18,3 meses no grupo do placebo, também de forma significativa.
O benefício de sobrevida ocorreu independentemente do sexo, estadiamento, linfonodos comprometidos, histologia e de forma independente do status de mutação de EGFR e ALK.
O acréscimo na sobrevida global desses pacientes é consistente com os resultados do mesmo estudo, previamente reportados, de sobrevida livre de eventos, resposta patológica maior e completa.
Além disso, é importante ressaltar que não ocorreu aumento importante de eventos adversos grau 3 a grau 5 no grupo do Pembrolizumabe comparado ao grupo do placebo (45% versus 38%).
Em resumo, com um follow-up mediano de seguimento de 3 anos o estudo de fase III KEYNOTE-671 demonstrou que a utilização de Pembrolizumabe neoadjuvante associado a quimioterapia a base de cisplatina seguido de Pembrolizumabe adjuvante aumentou de forma significativa a sobrevida global comparado a apenas quimioterapia em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estadiamento II, IIIA ou IIIB (N2).
Referências:
Spicer JD, Garassino MC, Wakelee H, et al. Neoadjuvant pembrolizumab plus chemotherapy followed by adjuvant pembrolizumab compared with neoadjuvant chemotherapy alone in patients with early-stage non-small-cell lung cancer (KEYNOTE-671): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial. Lancet. 2024;404(10459):1240-1252. doi:10.1016/S0140-6736(24)01756-2
*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia