*Comentado por Dra. Carolina Ferraz
Globalmente, 20% a 30% dos 2 milhões de pacientes diagnosticados com CPNPC a cada ano apresentam doença em estágio III, aproximadamente 60% a 90% desses pacientes apresentam doença irressecável.O padrão atual de tratamento para esses pacientes era até o último congresso americano de oncologia, a terapia de consolidação com durvalumabe após quimiorradioterapia definitiva, mas o benefício do agente imunoterápico, especificamente entre pacientes com mutações de EGFR era incerto, não existindo até então agentes direcionados aprovados especificamente neste cenário.
Osimertinibe é um inibidor de tirosina quinase anti EGFR de terceira geração com ação reconhecidamente comprovada no tratamento de Câncer de Pulmão Não Pequenas Células com mutação de EGFR ressecado.
O estudo LAURA foi o primeiro estudo fase III a avaliar uma terapia alvo após terapia definitiva com quimiorradioterapia. Tratou-se de um estudo duplo cego, placebo controlado, que randomizou pacientes com diagnóstico de câncer de pulmão não pequenas células irressecável com mutação de EGFR sem progressão durante ou após quimiorradioterapia para receber osimertinibe ou placebo até progressão de doença ou descontinuação por toxicidade.
Um total de 216 pacientes foram randomizados para receber osimertinibe (143 pacientes) ou placebo (73 pacientes). Osimertinibe resultou em aumento significativo de sobrevida livre de progressão comparado a placebo, a mediana de sobrevida livre de progressão foi 39,1 meses com osimertinibe versus 5,6 meses com placebo, com um hazard ratio de progressão ou morte de 0,16 (IC 95% 0,1 a 0,24, p < 0,001). A porcentagem de pacientes vivos e livres de progressão aos 12 meses foi 74% com osimertinibe e 22% com placebo. Dados interinos de sobrevida global mostraram sobrevida global em 36 meses entre 84% dos pacientes com Osimertinibe e 74% com placebo, com hazard ratio de 0,81 (IC 95%, 0.42 \\\\a 1.56, p= 0.53).
A incidência de eventos adversos de grau 03 ou mais foi 35% no grupo osimertinibe e 12% no grupo placebo, pneumonite actínica (maioria grau 01 a 02) foi reportado em 48% e 38% respectivamente. Os eventos adversos foram compatíveis com o perfil de toxicidades já conhecidas do osimertinibe quando utilizado no cenário da adjuvância e doença metastática.
O estudo LAURA redefiniu , portanto, o paradigma do tratamento dos pacientes com câncer de pulmão não pequenas células localmente avançados e irressecáveis com mutação do EGFR , ao demonstrar que o osimertinibe, um TKI EGFR direcionado, supera significativamente a imunoterapia nesta população, estabelecendo assim uma nova referência no atendimento ao paciente.
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