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Real Oncologia

PODIUM-303/InterAACT, ESMO 2024: benefício do uso de imunoterapia no tratamento do câncer de canal anal avançado- Estudo

*Comentado pelo Dr. Fernando Baracho

O estudo POD1UM-303/InterAACT 2 foiapresentado na ESMO 2024 e trouxe resultados significativos para o tratamento do carcinoma de células escamosas (CEC) do canal anal localmente avançado ou metastático. Essa é uma doença considerada órfã e negligenciada, com incidência crescente de 3% ao ano devido ao HPV, o agente causal mais associado a sua origem.

           O tratamento de primeira linha dessa doença não recebeu avanços desde 1980. O InterAAct 2 foi um estudo de fase 2 que estabeleceu carboplatina e paclitaxel como opção de primeira linha, oferecendo sobrevida livre de progressão mediana de 8 meses e global de 20 meses.

          O POD1UM-303/InterAACT 2  é um ensaio clínico de fase 3 que teve como objetivo avaliar a adição de retifanlimab, um anticorpo anti-PD-1, à quimioterapia padrão de carboplatina e paclitaxel em pacientes com CEC de canal anal irressecável ou metastático que não haviam recebido quimioterapia sistêmica anterior. O estudo comparou o uso de retifanlimab associado a quimioterapia com a quimioterapia isolada para determinar a eficácia e a segurança do tratamento.

         Esse estudo  randomizou pacientes (n=308) em dois grupos: um grupo recebeu retifanlimab (500 mg a cada 4 semanas) em combinação com carboplatina e paclitaxel (d1, d8 e d15 a cada 28 dias) por até um ano, enquanto o outro grupo recebeu placebo com o mesmo regime de quimioterapia. Era permitido crossover após progressão nos pacientes do grupo controle. O desfecho primário desse estudo foi sobrevida livre de progressão (PFS), os desfechos secundários foram sobrevida global, taxa de resposta, duração de resposta e segurança.

      Os resultados mostraram melhora significativa na sobrevida livre de progressão (PFS) no grupo que recebeu retifanlimab, com PFS mediana foi de 9,3 meses contra 7,4 meses no grupo quimioterapia isolada (HR = 0,63; p = 0,0006), indicando uma redução de 37% no risco de progressão da doença ou morte.

     Além disso, houve  tendência  de benefício em relação à sobrevida global (OS) nesta análise interina, mas dados ainda imaturos e sem significância estatística. A sobrevida mediana foi de 29,2 meses no grupo que recebeu retifanlimab, em comparação com 23,0 meses no grupo de quimioterapia (HR = 0,70 ; p = 0,0273).

     O regime combinado de retifanlimab com quimioterapia foi considerado bem tolerado. No entanto, ocorreram eventos adversos de grau 3 ou superior em ambos os grupos, sendo mais frequentes no grupo retifanlimab, incluindo hipotireoidismo(14,3% Vs 3,3%). Não houve diferença em relação ao que se espera da adição de um anti-PD-1 a um regime combinado de quimioterapia, em termos de toxicidade.

       Este é o primeiro e maior estudo de fase 3 que avaliou o uso de um inibidor de checkpoint imunológico no tratamento do CEC de canal anal metastático/irressecável, oferecendo uma nova opção de tratamento que melhora significativamente a PFS e demonstra uma tendência positiva em relação à OS. Desse modo, a combinação de retifanlimab com carboplatina e paclitaxel se torna o novo padrão de tratamento para pacientes com CEC de canal anal metastático ou localmente avançado irressecável.

Referência: LBA2 POD1UM-303/InterAACT 2: Phase III study of retifanlimab with carboplatin-paclitaxel (c-p) in patients (Pts) with inoperable locally recurrent or metastatic squamous cell carcinoma of the anal canal (SCAC) not previously treated with systemic chemotherapy (Chemo)

Rao, S. et al.Annals of Oncology, Volume 35, S1217

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