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Real Oncologia

Cuidados paliativos precoces em câncer de pulmão para pacientes com câncer de pulmão não pequenas células metastático

*Comentado por Dr. Lucas Campos

                Apesar de todos os avanços terapêuticos vividos na oncologia nas últimas décadas, a prática dos cuidados paliativos permanece envolta por estigmas e preconceitos, inclusive por médicos oncologistas.

              Por muito tempo os cuidados paliativos eram destinados exclusivamente para pacientes em fim de vida, que não possuíam tratamentos disponíveis ou não tinham condições clínicas para seguir suas medicações. Contudo, diversos estudos demonstram que esses cuidados, se iniciados de forma precoce, conseguem melhorar sobremaneira a qualidade de vida e manejo de efeitos colaterais dos pacientes.     

Desta forma, com o objetivo de melhorar a percepção do tratamento por parte do paciente com doença metastática, é importante que seja realizado um acompanhamento conjunto com a equipe de cuidados paliativos de forma precoce.

                Neste contexto, em 2010 foi publicado na revista “The New England Journal of Medicine” o estudo em questão, que tinha como objetivo avaliar o efeito dos cuidados paliativos precoces, integrados ao tratamento oncológico padrão, sobre desfechos relatados pelos pacientes, uso de serviços de saúde e qualidade do cuidado do fim de vida em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células metastático.

O estudo foi desenhado como fase III, prospectivo, randomizado, aberto e unicêntrico (Massachusetts General Hospital), no qual os pacientes foram randomizados para dois grupos: Tratamento oncológico padrão e Tratamento oncológico padrão + cuidados paliativos precoces, que incluiam visitas mensais com uma equipe especializada (médicos e enfermeiros).

Uma amostra de 120 pacientes foi estimada para detectar, com poder de 80%, uma diferença no escore de qualidade de vida TOI (Trial Outcome Index) entre os escore inicial e após 12 semanas, com um tamanho de efeito médio de 0.5 desvio-padrão.

O estudo teve como desfecho primário a variação na pontuação no questionário TOI após 12 semanas da inclusão, e desfechos secundários: qualidade de vida, humor, uso de serviços de saúde e sobrevida. O seguimento médio foi de 5.7 meses e um total de 151 pacientes foram recrutados. Os principais critérios de inclusão foram a confirmação de câncer de pulmão não pequenas células metastático, inclusão até 8 semanas do diagnóstico, ECOG 0-2 e capacidade de ler e responder as questões em inglês (importante para o correto preenchimento dos formulários).

Neste estudo, os pacientes com câncer de pulmão que foram designados para o braço de cuidados paliativos precoces, integrados aos cuidados oncológicos padrão, apresentaram melhora nos índices de qualidade de vida, menos sintomas depressivos e maior sobrevida mediana do que aqueles que foram designados apenas para o atendimento oncológico. Em uma análise subsequente, os pacientes que receberam cuidados paliativos precoces receberam o mesmo número de esquemas de quimioterapia que os do grupo controle, mas eram menos propensos a continuar a quimioterapia perto da morte ou a ser hospitalizados perto do final de vida.

Esses achados apontem para uma necessidade de mudança de paradigma para o manejo de pacientes com doenças graves que ameaçam a vida, incluindo pacientes com câncer avançado. Os cuidados devem incluir avaliações das preocupações, objetivos e preferências dos pacientes, e devem ser adotados durante a evolução da doença, incluindo o manejo de sintomas, suporte familiar e atenção às questões que impactem a qualidade de vida.

Neste sentido, a Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) recomenda que os serviços de cuidados paliativos sejam integrados ao atendimento de pacientes internados e ambulatoriais com câncer avançado no início do curso da doença, de forma concomitante ao tratamento.

Neste estudo concluimos que entre pacientes com câncer de pulmão não pequenas células metastático, os cuidados paliativos precoces levaram a melhorias significativas na qualidade de vida e no humor. Em comparação com os pacientes que receberam o tratamento padrão, o grupo do acompanhamento precoce obteve tratamento menos agressivo no final de vida, mas com sobrevida mais longa. *Nossos médicos desenvolvem comentários sobreartigos relacionados à oncologia

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