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Real Oncologia

Estudo LIBRETTO – 531: Uso do Selpercatinibe no tratamento do câncer medular de tireoide com mutação do RET

*Comentado por Dr. Lucas Campos

                O carcinoma medular de tireoide é um tumor considerado raro, representando cerca de 5% de todas as doenças malignas que acometem a tireoide, e possui uma particularidade importante: possui um forte componente genético atrelado ao rearranjo do RET. Virtualmente 100% dos casos hereditários possuem tal mutação, e é encontrada em 50% dos casos esporádicos.

                Tal componente genético torna a utilização do Selpercatinibe uma opção bem interessante para o arsenal terapêutico. Esta medicação é um inibidor de tirosina quinase (TKI) que inibe com alta seletividade o RET. Neste sentido, foram realizados estudos de eficácia e segurança que obtiveram bons resultados e foram responsáveis pela aprovação da medicação no tratamento do câncer medular de tireoide.

                O LIBRETTO-531 é um estudo clínico  fase III que compara a eficácia e segurança do Selpercatinibe em primeira linha associado com Cabozantinibe ou Vandetanibe, à escolha do pesquisador. O estudo foi desenhado com um grupo de intervenção (associação das medicações) e outro grupo placebo (apenas o agente multi quinase) e teve como objetivo primário a sobrevida livre de progressão, avaliado por RECIST 1.1.

                Como resultado o estudo conseguiu incluir um total de 291 pacientes, bem distribuídos entre os grupos, que foram acompanhados (follow-up) por 12 meses. Após este período a mediana de sobrevida livre de progressão (SLP) não foi alcançada para o grupo da intervenção, já para o grupo controle foi de 16.8 meses (12,1 – 25,1) com um HR de 0.187 (95% IC: 0.109 – 0.321). Quando considerado um follow-up de 15 meses, a avaliação de sobrevida global demonstrou uma redução de 62.6% no risco de óbito quando tratado com a medicação da intervenção.

                 Um resultado importante foi alcançado na taxa de resposta objetiva, com o grupo da intervenção atingindo 69,4% (95% IC: 62,4-75,8) comparado com 33,8% (95% IC: 29,1-49,2) no grupo controle, de forma que os pacientes do grupo do Selpercatinibe apresentaram quase 4 vezes mais resposta com o tratamento.

                Em relação ao perfil de segurança, a droga foi bem tolerada e apenas 4.7% dos pacientes precisaram descontinuá-la, em comparação com 26,8% no grupo controle. Além disso, quando presentes os sintomas colaterais foram bem manejados e não destoaram do que é esperado para inibidores de tirosina quinase.

                Os resultados fortalecem o papel do Selpercatinibe como tratamento para neoplasia medular de tireoide, ao ponto de ser escalado na primeira linha. Isto se deve aos resultados benéficos em relação à sobrevida livre de progressão, melhores taxas de resposta e bom perfil de toxicidade.

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