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Real Oncologia

Estudo CONDOR: Desempenho diagnóstico do 18F-DCFPyL-PET/CT em homens com recidiva bioquímica de neoplasia de próstata, estudo multicêntrico de fase III.  

*Comentado por Lucas Campos

                Um dilema clínico bastante desafiador no manejo do câncer de próstata, é a ocorrência de aumento do PSA sérico após a realização de tratamento com intenção curativa (prostatectomia radical ou radioterapia) na ausência de doença evidente nos exames de imagem convencionais. Esta condição, conhecida como recidiva bioquímica (RB), indica a presença de doença persistente ou recorrente, sem definir sua localização exata, e ocorre em 20-50% dos homens dentro dos primeiros 10 anos após a terapia local definitiva.

                Esta incapacidade em definir a localização da recidiva tumoral reflete as deficiências de análise do PSA sérico e dos exames de imagem convencionalmente solicitados nesta circunstância. Exames clássicos (tomografias e cintilografia óssea) possuem baixa sensibilidade especialmente em pacientes que apresentam níveis menores de PSA (<2.0ng/mL). Estas limitações estimularam o desenvolvimento de outros agentes com melhor desempenho diagnóstico, incluindo radiotraçadores ligados na proteína da superfície celular específico da próstata (PSMA).

                18F-DCFPyL é uma pequena molécula que se liga ao domínio extracelular do PSMA com alta afinidade, e tem demonstrado sucesso em estudos que avaliam a detecção do câncer de próstata em uma série de estados de doença, incluindo estudos onde a avaliação histopatológica serviu como padrão de referência.  O estudo CONDOR foi desenhado para avaliar a performance do 18F-DCFPyL-PET/CT em homens com recidiva bioquímica no câncer de próstata.

                O CONDOR é um estudo de fase III, prospectivo, aberto, estudo de braço único, projetado para avaliar o desempenho diagnóstico e segurança do  18F-DCFPyL-PET/CT em pacientes com suspeita de recidiva ou neoplasia de próstata metastático com exames de imagem convencionais negativos para neoplasia em atividade. Estudo multicêntrico realizado em 13 hospitais diferentes no Estudos Unidos e Canadá.

                Os critérios de inclusão foram: homens maiores de 18 anos, com recidiva bioquímica tratado previamente com prostatectomia radical ou radioterapia, com exames convencionais negativos para doença neoplásica em atividade – exames que foram realizados 60 dias antes do  18F-DCFPyL-PET/CT. Neste estudo a recidiva bioquímica foi definida como PSA maior ou igual à 0.2ng/mL para pacientes tratados previamente com prostatectomia, e maiores ou iguais à 2ng/mL acima do nadir de PSA após a radioterapia.

                Os critérios de exclusão incluíram a administração de qualquer medicamente gama-emissores dentro do período de cinco meias-vidas físicas antes da injeção do 18F-DCFPyL, uso de terapia de privação androgênica dentro de 03 meses da realização do PET. Terapia sistêmica contínua para neoplasia de próstata foi proibido. A dose especificada pelo protocolo do 18F-DCFPyL foi de 9 mCi (333 MBq) administrado por via intravenosa 1-2 horas antes do PET/CT.  

                Devido à ausência de uma avaliação histológica para confirmar a possível doença em atividade, foi composto um padrão confirmatório sem a necessidade de avaliação patológica. Este padrão foi definido após discussões com a FDA, definidos por (em ordem de prioridade): (i) confirmação histopatológica; (ii) achados de imagem de acompanhamento correlacionados presentes em tomografias, ressonância e/ou cintilografia óssea; (iii) casso nenhum dos itens acima estiver disponível, a redução de 50% ou mais do PSA após o inicio de tratamento.

                O desfecho primário do estudo foi a taxa de identificação correta da recidiva de doença – sendo esta uma medida de valor preditivo positivo. Os desfechos secundários foram a porcentagem de pacientes com mudança de tratamento após a realização do exame, e segurança relacionada ao uso do radiotraçador.  

                Um total de 208 pacientes foram inscritos no estudo, entre novembro de 2018 e agosto de 2019. A idade média foi de 68 anos (variando de 43-91 anos), onde 67.8% tinham mais de 65 anos. A mediana do nível basal de PSA foi de 0.8ng/mL e 68.8% dos pacientes tinham níveis de PSA maiores que 2.0ng/mL. O tempo médio desde o diagnóstico neoplásico foi de 71 meses, e o tratamento inicial foi prostatectomia radical em 49.5% dos casos, radioterapia e prostatectomia em 35.6% e radioterapia isolada em 14.9%.

                Em pacientes com níveis basais de PSA menores que 0.5ng/mL a taxa de identificação correta da doença foi de 73.3%, enquanto nos pacientes com PSA maior que 5ng/mL esta taxa atingiu valores de 96.4%. A taxa de detecção aumentou conforme a elevação dos níveis de PSA, variando de 36.2% a 96.7%.

                Em relação ao local anatômico da recidiva, o valor preditivo positivo foi constantemente alto para todas as localizações. 

                Em relação à mudança de conduta a partir do resultado do exame, quase dois terços dos pacientes sofreram mudanças no manejo de sua doença. Quatorze pacientes sofreram algum evento adverso, o mais comum sendo cefaleia e menos comum reação alérgica ao radiotraçador.  

                Desta forma, o estudo demonstrou uma elevada taxa de identificação correta da recidiva e, como consequência, elevado valor preditivo positivo, sendo considerado uma ferramenta confiável na detecção da localização da recidiva de doença neste perfil de paciente.

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