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Real Oncologia

Estudo SKYSCRAPER-08: Estudo fase III, randomizado, duplo cego, controlado por placebo que avalia o uso do Tiragolumabe em associação ao Atezolizumabe e quimioterapia em pacientes com carcinoma espinocelular de esôfago.

*Comentado por Dr. Lucas Campos

                Os resultados do SKYSCRAPER-08 foram divulgados no Simpósio de Câncer gastrointestinal da Sociedade Americana de Oncologia Clínica no ano de 2023 (ASCO GI). O ensaio é o primeiro estudo de fase III a explorar a eficácia e segurança do Tiragolumabe (Anti-TIGIT) em combinação com imunoterapia (Atezolizumabe) e quimioterapia versus quimioterapia isolada em pacientes com carcinoma espinocelular de esôfago avançado.

O imunoreceptor de linfócitos T com domínio Ig e ITIM (TIGIT) é um novo receptor de checkpoint imunológico que é altamente expresso em vários tipos de células imunes em diferentes neoplasias, incluindo o câncer pulmão pequenas células. Em camundongos a expressão do TIGIT é altamente correlacionada com o PD-L1.

                Pesquisas mostram que a ativação do TIGIT previne a proliferação de células T, a produção de citocinas efetoras e morte de células tumorais alvo. Desta forma, a inibição da via de sinalização TIGIT tem o poder de ajudar e restaurar a resposta imune. 

                O câncer escamoso de esôfago corresponde em até 80% dos tumores esofágicos ao redor do mundo, segundo dados da ASCO, e dados oficiais apontam esta patologia como a 8ª mais comum. Pacientes que apresentam esta patologia em estádios avançados, irressecáveis ou metastáticos, normalmente apresentam prognóstico muito ruim, com taxa de sobrevida em 05 anos em torno de 05%.

                O estudo em questão envolveu 461 pacientes e avaliou a eficácia e segurança da adição do Anti-TIGIT ao Atezolizumabe em combinação com quimioterapia (Paclitaxel + Cisplatina), em comparação com quimioterapia e placebo, como primeira linha dos pacientes com neoplasia de esôfago escamoso avançado (irressecável ou metastático). Os endpoints primários foram sobrevida livre de progressão e sobrevida global.

                O estudo focou na população asiática, uma vez que este grupo tem taxas de câncer de esôfago superiores às taxas mundiais. Os pacientes foram incluídos de 67 centros na China continental, Coreia do Sul, Tailândia, Taiwan e Hong Kong.

                Neste estudo 229 pacientes foram randomizados para receber a combinação e 232 pacientes foram alocados no braço controle (placebo). Após acompanhamento mínimo de 6.5 meses, os resultados da sobrevida livre de progressão foram de 6.2 meses para os pacientes que fizeram a combinação versus 5.4 meses para o grupo placebo (HR 0.56; IC 95%, 0.45-0.70; p<0.0001). Após acompanhamento mínimo de 14.5 meses a sobrevida global foi de 15.7 meses para os pacientes da combinação enquanto o grupo controle foi de 11.1 meses (HR 0.70; IC 95%, 0.55-0.88; p = 0.0024).

                Os eventos adversos relacionados ao tratamento foram observados em 98.2% dos pacientes em ambos os braços, sendo a maioria relacionada à quimioterapia. Alguns eventos mais importantes no braço da combinação foram: rash cutâneo, hepatite imunomediada e hipotireoidismo. A maior destes eventos foram leves (grau 1 ou 2) e manejáveis sem a necessidade de suspensão das medicações.

                O estudo atingiu ambos os objetivos primários de sobrevida livre de progressão e sobrevida global, demonstrando melhorias significativas na população que fez uso da combinação Tiragolumabe + Atezolizumabe + quimioterapia. O benefício foi consistente em todos os subgrupos estudados e o perfil de segurança foi bem aceito. Por fim, apesar os estudos positivos e animadores, cabe a indagação se estes resultados são transponíveis para populações ocidentais.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia

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