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Real Oncologia

ESMO 2023 – CONGRESSO EUROPEU DE ONCOLOGIA CLÍNICA – MAMA GANHA NOVO ANTICORPO DROGA-CONJUGADO (ADC) NOS TRATAMENTOS TUMORES LUMINAIS

*Comentado por Dra. Cecília Arraes

                Hoje venho trazer mais uma boa novidade em câncer de Mama que foi apresentada na terceira sessão plenária.

                Tivemos a apresentação dos dados do Tropion Breast 01, estudo de fase III, com novo ADC em Câncer de Mama receptor hormonal positivo (RH), Her-2 negativo, o Datopotamab-deruxtecan. Trata-se de mais um anticorpo droga-conjugado direcionado contra um receptor chamado TROP-02, antígeno de superfície da célula trofoblástica, presente nas células cancerígenas de diversas neoplasias, como Mama e Pulmão. Essa proteína é expressa de forma intensa na superfície tumoral, de maneira que não se faz necessário dosar a sua expressão nas células cancerígenas. O datopotamabe está ligado a uma molécula de quimioterapia da classe dos inibidores de topoisomerase I e assim como outros ADCs recentemente lançados, possui características que tornam essas moléculas bastante eficientes: 1) se ligam a receptores que estão quase exclusivamente nas superfície das células do câncer; 2) são bastante estáveis fora da célula, uma vez que a proteína (linker) que liga o anticorpo a quimioterapia (payload) só é quebrada na porção intracelular; 3) consegue entregar altas doses de quimioterapia dentro da células (proporção droga- anticorpo 4:1); 4) possui meia vida curta, mas possui efeito nas células cancerígenas vizinhas que não possuem o receptor na sua superfície (bystander). Essa droga foi testada em estudo de fase I com resultados encorajadores.

                Sabemos que a doença hormonal positiva que se torna resistente a hormonioterapia tem o prognostico reservado e taxa de resposta a quimioterapia inferiores a 30%, com sobrevida livre de progressão girando em torno de 4 meses. Essa medicação surge como uma outra oportunidade terapêutica neste cenário que corresponde a 60-70% dos tumores avançados.

                O TROPION-02 randomizou 711 pacientes, 1:1, para Dato-Dxd 6mg/kg a cada 3 semanas versus quimioterapia a escolha do investigador (eribulina, vinerolbine, capecitabina, gencitabina) em pacientes com neoplasia de mama avançada ou irressecável, hormonal positiva, refratarias a hormônio que fizeram uso de 1 ou 2 linhas de quimioterapia. O desfecho primário do estudo foi composto de sobrevida livre de progressão e sobrevida global. Outros desfechos incluíram taxa de resposta, efeitos adversos.

                Os grupos foram bem distribuídos entre os braços e o perfil de pacientes do estudo incluiu pacientes que já haviam recebido antraciclina e taxano em 90% dos casos, inibidores de ciclina em 80%

                O desfecho primário do estudo foi atingido, com SLP de 6,9 versus 4,9 meses, com HR 0.63 – p<0,0001 e com importante taxa de sobrevida em 9 meses em favor de Dato-Dxd (37,5% vesus 18,7%). Na análise de subgrupo, todos os pacientes apresentaram benefício, independente do uso prévio de inibidor de ciclina ou se já haviam sido expostos a antraciclina e taxano. A taxa de resposta também foi superior com o Dato-Dxd )36,4% versus 22,9%)

                O ponto alto dessa medicação é o perfil de segurança e tolerância. A droga foi muito bem tolerada, com maior percentual de eventos adversos grau 1-2. Eventos adversos G3 foram menos de 10%, sendo o mais prevalente, a estomatite com 6%. Os eventos de qualquer grau mais frequente foram náuseas, vômitos, fadiga, alopecia, anemia e neutropenia. Esse mesmo perfil de segurança foi reproduzido no estudo TROPION LUNG 01.

                Esse trabalho nos traz mais uma oportunidade terapêutica. Pós ESMO 2023, nós teremos 3 opções terapêuticas para câncer de Mama avançado luminal refratário a hormonioterapia: 1) Trastuzumabe-deruxtecan (Her-2 low); 2) Sacituzumabe-govetican 3) Datopotamabe-deruxtecan. Não temos dados ainda que compare diretamente uma medicação com a outra.   

                Outras dúvidas surgem agora: seria um ADC ligado a topoisomerase eficaz após progressão a outro anteriormente usado? É melhor usar um ADC nesse cenário ou moléculas que inibem a via PIK3/AKT/mTOR como alpelisibe, capivasertibe ou everolimo?

                Aguardamos novos trials para responder a estas perguntas. Novos players no jogo da decisão terapêutica. O desafio do Oncologista só aumenta, assim como a necessidade de constate atualizações e compreensão global do paciente e da doença para tomada da melhor decisão.

Referências:

1)https://www.esmo.org/meeting-calendar/esmo-congress-2023

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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