Comentado por Dra. Carolina Ferraz*
O câncer de pulmão é a principal causa de morte global por câncer, sendo responsável por quase 1,8 milhão de mortes por ano. O subtipo EGFR mutado representa cerca de 30-40% dos casos de câncer de pulmão na Ásia e 10% a 25% dos casos de câncer de pulmão dos Estados Unidos e Europa.
Osimertinibe é um inibidor de tirosina quinase anti-EGFR de 3ª geração, de ligação irreversível e com importante atividade no sistema nervoso central, que demonstrou melhora estatisticamente significativa na sobrevida livre de doença, em comparação com placebo, em pacientes com Câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) ressecado estágio IB-IIIA com mutação de EGFR (EGFRm).
O benefício desta droga foi avaliado no estudo multicêntrico, fase III, ADAURA , que randomizou 1:1 , 682 pacientes adultos ( acima de 18 anos) , com status performance 0-1, doença estágio IB, II ou IIIA para receber osimertinibe 80 mg via oral ao dia , ou placebo, até recorrência, conclusão de tratamento em 03 anos ou critérios de descontinuação.
Na análise primária do estudo, osimertinibe adjuvante demonstrou benefício estatístico e clinicamente significativo em sobrevida livre de doença, dado que mudou a prática de pacientes com CPNPC EGFRm ressecados que haviam ou não recebido quimioterapia adjuvante.
Faltava até pouco tempo responder se osimertinibe adjuvante aumentaria a taxa de pacientes curados quando comparados ao grupo placebo.
No último congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) realizado em junho de 2023 em Chicago ( EUA) foi apresentada em sessão plenária a análise final de sobrevida global do estudo com publicação simultânea dos dados no New England Journal of Medicine .
Em pacientes com doença estágio II-IIIA, osimertinibe adjuvante reduziu em 51% o risco de morte (HR=0,49 , 95% IC 0,33-0,73; P: 0,0004). A taxa de sobrevida global em 05 anos foi de 85% com osimertinibe versus 73% com placebo.
Na população geral (IB-IIIA), pacientes que receberam osimertinibe também tiveram redução do risco de morte significativa (HR= 0,49, 95% IC 0,34-0,7, P < 0,0001). A taxa de sobrevida em 05 anos foi de 88% com osimertinibe versus 78% com placebo. A sobrevida global mediana não foi alcançada nem no grupo geral nem na população de tratamento.
Na análise de subgrupo dos estágios I-II esse benefício de sobrevida parece menos robusto, fato que pode ser explicado pelo percentual de pacientes do grupo placebo (43%) que fizeram uso do osimertinibe após recidiva de doença.
Foram divulgados ainda desfechos de segurança do estudo, os eventos adversos levaram a descontinuação do tratamento em 13% dos casos no grupo osimertinibe e 03% no grupo placebo.
Os resultados dessa atualização seguem os achados anteriores do estudo ADAURA. Em janeiro de 2023, os dados de sobrevida livre de doença publicados no Journal of Clinical Oncology mostraram-se sustendados após mais de 5 anos de acompanhamento com o uso de osimertinibe, demonstrando uma redução de 77% no risco de recorrência de doença com mediana de sobrevida livre de doença de 65,8 meses na população II-IIIA.
O benefício comprovado de sobrevida global no estudo ADAURA reforça a definição de osimertinibe como tratamento padrão na adjuvância para pacientes com CPNPC EGFRm ressecáveis estádios IB-IIIA, independente do uso prévio de quimioterapia adjuvante. Esses resultados representam um marco no tratamento da doença localizada, uma vez que a testagem molecular e tratamento direcionado ao alvo tem sido determinante no sucesso do tratamento da doença metastática.
Atualização de dados de sobrevida global do estudo Adaura – Osimertinibe adjuvante para câncer de pulmão de não pequenas células ressecado com mutação de EGFR estágio IB-IIIA
Por Dra. Carolina Ferraz
O câncer de pulmão é a principal causa de morte global por câncer, sendo responsável por quase 1,8 milhão de mortes por ano. O subtipo EGFR mutado representa cerca de 30-40% dos casos de câncer de pulmão na Ásia e 10% a 25% dos casos de câncer de pulmão dos Estados Unidos e Europa.
Osimertinibe é um inibidor de tirosina quinase anti-EGFR de 3ª geração, de ligação irreversível e com importante atividade no sistema nervoso central, que demonstrou melhora estatisticamente significativa na sobrevida livre de doença, em comparação com placebo, em pacientes com Câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC) ressecado estágio IB-IIIA com mutação de EGFR (EGFRm).
O benefício desta droga foi avaliado no estudo multicêntrico, fase III, ADAURA , que randomizou 1:1 , 682 pacientes adultos ( acima de 18 anos) , com status performance 0-1, doença estágio IB, II ou IIIA para receber osimertinibe 80 mg via oral ao dia , ou placebo, até recorrência, conclusão de tratamento em 03 anos ou critérios de descontinuação.
Na análise primária do estudo, osimertinibe adjuvante demonstrou benefício estatístico e clinicamente significativo em sobrevida livre de doença, dado que mudou a prática de pacientes com CPNPC EGFRm ressecados que haviam ou não recebido quimioterapia adjuvante.
Faltava até pouco tempo responder se osimertinibe adjuvante aumentaria a taxa de pacientes curados quando comparados ao grupo placebo.
No último congresso da American Society of Clinical Oncology (ASCO) realizado em junho de 2023 em Chicago ( EUA) foi apresentada em sessão plenária a análise final de sobrevida global do estudo com publicação simultânea dos dados no New England Journal of Medicine .
Em pacientes com doença estágio II-IIIA, osimertinibe adjuvante reduziu em 51% o risco de morte (HR=0,49 , 95% IC 0,33-0,73; P: 0,0004). A taxa de sobrevida global em 05 anos foi de 85% com osimertinibe versus 73% com placebo.
Na população geral (IB-IIIA), pacientes que receberam osimertinibe também tiveram redução do risco de morte significativa (HR= 0,49, 95% IC 0,34-0,7, P < 0,0001). A taxa de sobrevida em 05 anos foi de 88% com osimertinibe versus 78% com placebo. A sobrevida global mediana não foi alcançada nem no grupo geral nem na população de tratamento.
Na análise de subgrupo dos estágios I-II esse benefício de sobrevida parece menos robusto, fato que pode ser explicado pelo percentual de pacientes do grupo placebo (43%) que fizeram uso do osimertinibe após recidiva de doença.
Foram divulgados ainda desfechos de segurança do estudo, os eventos adversos levaram a descontinuação do tratamento em 13% dos casos no grupo osimertinibe e 03% no grupo placebo.
Os resultados dessa atualização seguem os achados anteriores do estudo ADAURA. Em janeiro de 2023, os dados de sobrevida livre de doença publicados no Journal of Clinical Oncology mostraram-se sustendados após mais de 5 anos de acompanhamento com o uso de osimertinibe, demonstrando uma redução de 77% no risco de recorrência de doença com mediana de sobrevida livre de doença de 65,8 meses na população II-IIIA.
O benefício comprovado de sobrevida global no estudo ADAURA reforça a definição de osimertinibe como tratamento padrão na adjuvância para pacientes com CPNPC EGFRm ressecáveis estádios IB-IIIA, independente do uso prévio de quimioterapia adjuvante. Esses resultados representam um marco no tratamento da doença localizada, uma vez que a testagem molecular e tratamento direcionado ao alvo tem sido determinante no sucesso do tratamento da doença metastática.
*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.