*Comentado por Dra. Samara Aquino
O câncer de ovário é o tumor ginecológico mais letal e com altas taxas de recidiva e morbidade. Os inibidores de PARP já tem papel bem estabelecido no tratamento dessa patologia, a associação de olaparibe ao bevacizumabe foi incorporado este ano ao rol da ANS baseado no estudo PAOLA. A análise final de sobrevida global deste estudo mostrou benefício da combinação em pacientes com deficiência de recombinação homóloga (DRH), com mediana de sobrevida global de 75,2 versus 57,3 meses (HR 0,72). O estudo DUO-O avaliou o papel do tratamento com adição de imunoterapia ao antiangiogênico e iPARP.
Foram incluídas pacientes com tumores de ovário de alto grau recém diagnosticadas, sem mutação de BRCA, sem tratamento prévio, podendo ter sido submetidas a citorredução primária ou de intervalo. Essas pacientes foram randomizadas de 1:1 para 3 braços de tratamento, um considerado o padrão (braço 1), carboplatina e paclitaxel seguido de bevacizumabe de manutenção (por 15 meses), um braço experimental (braço 2) consistindo de quimio com durvalumabe seguido de bevacizumabe e durvalumabe (este último por 24 meses) de manutenção, e um segundo braço experimental de quimio com durvalumabe (braço 3), seguido de bevacizumabe, durvalumabe e olaparibe de manutenção (este último por 24 meses).
Os objetivos primários do estudo foram sobrevida livre de progressão (SLP) no braço 1 versus braço 3, SLP na população por intenção de tratar (ITT) e SLP na população com DRH. Os objetivos secundários do estudo foram SLP no braço 1 versus 2, SLP ITT, sobrevida global (SG) e segurança.
Em relação a população do estudo, 65% eram EC III, 90% com histologia serosa de alto grau, 38% submetidas a ressecção primária R0, 62% submetidas a citorredução primária R1 ou R2 ou citorredução de intervalo planejada, 40% HRD positivo, 55% HRD negativo e 7% com status HRD desconhecido.
Quanto aos resultados, na população ITT não houve diferença estatisticamente significativa em SLP entre braço 1 versus 2, 19.3m versus 20.6 meses HR 0,87, com ganho quando comparado braço 1 versus 3, 19.3m versus 24.2 meses HR 0,63. Naquelas pacientes HRD positivas também não houve benefício em SLP da adição de durvalumabe ao braço padrão, 23m versus 24,4 meses HR 0,82, contudo houve benefício da adição de durvalumabe e olaparibe ao braço padrão, 23m versus 37,3 meses HR 0,51. Nas pacientes HRD negativo os resultados foram parecidos, sem ganho em SLP entre braço 1 versus 2, 17.4m versus 15.4 meses HR 0,94, porém com benefício quando comparado braço 1 versus 3, 17.4m versus 20.9 meses, HR 0,68. A incidência de efeitos adversos severos nos braços 1, 2 e 3 foi de 34%, 43% e 39%, respectivamente.
Dessa forma, o estudo demonstra que a terapia com paclitaxel/carboplatina, bevacizumabe e durvalumabe seguida de manutenção com bevacizumabe, durvalumabe e olaparibe, apresenta-se como uma alternativa eficaz e segura para o tratamento de câncer de ovário avançado, contudo é necessário um maior tempo de seguimento para podermos incorporar essa estratégia ao tratamento padrão das pacientes com câncer de ovário.
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