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Real Oncologia

PETRARCA trial – FLOT versus FLOT/Traztuzumabe/Pertuzumabe no tratamento perioperatório de adenocarcinoma gastroesofágico ressecável HER2 positivo.

Comentado Dra. Carolina Ferraz

                O adenocarcinoma esofagogástrico, compreendendo câncer gástrico e da junção esofagogástrica, está associado a altas taxas de mortalidade. O regime de quimioterapia FLOT é atualmente o padrão de tratamento no perioperatório. Entretanto, sabe-se que a superexpressão e amplificação de HER2 são encontradas em 15-20% de todos os casos de adenocarcinoma esofagogástrico. O primeiro medicamento direcionado que demonstrou melhora dos resultados no cenário metastático é anticorpo anti HER2 trastuzumabe. Recentemente a combinação dessa droga confirmou ser segura em associação com FLOT no cenário perioperatório. No estudo HERFLOT de fase II, com uso de trastuzumabe e quimioterapia, foi relatada taxa de resposta patológica completa de mais de 20% e os dados preliminares foram promissores.

                Com objetivo semelhante de melhorar os resultados de pacientes HER2 positivos foi publicado em 16 de junho de 2022 no Journal of Clinical Oncology o aqui avaliado estudo fase II analisando o benefício de adição do Pertuzumabe a esquema de combinação de fluorouracil, leucovorin, oxaliplatina e docetaxel (FLOT) associado a traztuzumabe em pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico ressecável e HER2 (receptor de fator de crescimento epidérmico humano tipo 2 positivo).

                Pertuzumabe, assim como traztuzumabe, liga-se ao HER2, mas sem competirem entre si. Os achados de estudos prévios já conhecidos no cenário de câncer de mama HER2-positivo fornecem embasamento para uso seguro e eficaz da combinação e interesse em melhor avaliação dessas drogas em combinação com FLOT no cenário perioperatório em pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico HER2-positivo ressecável.

                Trata-se de um estudo multicêntrico, fase II/III, que randomizou pacientes com adenocarcinoma esofagogástrico ressecável HER2 positivo para ciclos de FLOT pré e pós-operatório ou FLOT combinado com traztuzumabe/Pertuzumabe, seguido por 09 ciclos de traztuzumabe/Pertuzumabe. O desfecho primário do estudo na fase II de avaliação foi taxa de resposta completa.

                O estudo foi encerrado prematuramente após a divulgação de dados do estudo JACOB no cenário de adenocarcinoma esofagogástrico metastático, mas os dados publicados chamam atenção no cenário da doença ressecável. Um total de 81 pacientes foram distribuídos aleatoriamente, 41 no braço A e 40 no braço B durante a fase II. A taxa de resposta patológica completa melhorou significativamente com o tratamento com trastuzumabe/Pertuzumabe, aumentando 12% no braço A e 35% no braço B (p = 0,02). Da mesma forma, a taxa de negatividade patológica do linfonodo foi maior com trastuzumabe / Pertuzumabe, aumentando de 39% no braço A para 68% no braço B, enquanto a taxa de ressecção R0 e morbidade cirúrgica foram semelhantes.

                A mortalidade também se mostrou semelhante em ambos os braços, totalizando 2,5%. A mediana de sobrevida livre de doença foi de 26 meses no braço A e ainda não alcançada no grupo B (HR 0,58, p = 0,14). Após 22 meses de acompanhamento, a sobrevida global mediana não havia sido atingida (HR 0,56, p = 0,24). As taxas de sobrevida livre de doença e sobrevida global em 24 meses foram de 54% (IC 95%, 38 a 71) e 77% (95% IC 55 a 85) no braço A e 70% (IC 95% 55 a 85) e 84% (IC 95% 72 a 96) no braço B, respectivamente.

                Mais eventos adversos de grau 03 ou mais foram relatados no grupo trastuzumabe/Pertuzumabe, especialmente diarreia (05% no braço A versus 41% no braço B) e leucopenia (13% no braço A versus 23% no braço B).

                A melhora da taxa de resposta do estudo PETRARCA e perfil de segurança manejável relacionados a tratamento e morbidade cirúrgica, assim como os dados promissores de sobrevida justificam a necessidade de investigação adicionais mais aprofundadas de agentes direcionados ao HER2 no cenário perioperatório, mesmo com estudos de fase III tendo sido publicados no cenário metastático.

                Encontra-se em andamento resultados de mais um estudo de fase II EORTC INNOVATION avaliando eficácia do tratamento direcionado ao HER2 em adenocarcinoma esofagogástrico usando quimioterapia perioperatória em combinação com trastuzumabe ou trastuzumabe mais Pertuzumabe em comparação com quimioterapia isolada, que auxiliará a elucidar o papel do antiHER2 no tratamento perioperatório do adenocarcinoma esofagogástrico ressecável localmente avançado. No entanto, até a disponibilidade de maiores resultados, o tratamento adicional anti HER2 não deve ser recomendado fora dos ensaios clínicos.

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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