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Real Oncologia

Novidades do primeiro dia da ASCO GI 2023

Comentado por Dra. Cecília Arraes

                Hoje iniciou o Congresso Americano de Tumores Gastrointestinais da Sociedade America de Oncologia Clínica, este ano, comemorando 20 anos de um espaço dedicado ao encontro de especialistas no tema de neoplasias que envolvem exclusivamente o trato gastrointestinal. Dada a complexidade que a Oncologia vem apresentando nos últimos anos, dividir-se em áreas específicas de atuação é a tendência e necessário para melhor aprimoramento técnico.

                Trazemos para vocês os principais trabalhos do dia, com breve resumo do que foi apresentado, maioria ainda não publicado.

                Primeiro deles é o NEOAEGIS trial – o trabalho irlandes de não inferioridade randomizou os pacientes portadores de Adenocarcinoma Gástrico e JEG Siewert I-III T2/T3N0-3M0 para realizar um protocolo quimioterapia neoadjuvante (braço A) versus protocolo quimiorradioterapia aos moldes do Cross Trial – braço B – (carbo e taxol concomitante a radioterapia). Foram randomizados 377 pacientes. No grupo da quimioterapia, de 2013-2018 paciente realizaram protocolo do MAGIC trial e de 2018-2020 FLOT. Maioria dos pacientes de neoadjuvância fizeram protocolo MAGIC trial. Não houve diferença em sobrevida global entre os grupos 55% x 57%, mas houve diferença estatisticamente significativa em resposta patológica completa e regressão tumoral (TRG), a favor do braço de quimioterapia e radioterapia aos moldes do CROSS trial.

                O segundo trabalho é o INFINITY – estudo de fase II – que randomizou pacientes portadores de câncer gástrico e de JEG com instabilidade de microssatélite e sorologia para Epstein-Barr negativo para combo de Imunoterapia – Durvalumabe + Tremelimumabe. O trabalho recrutou 18 pacientes. Destes, 15 pacientes foram avaliados para o desfecho primário de resposta patológica completa. O combo de imunoterapia com anti-PDL-1 e anti-CTLA-4 provocou resposta patológica completa de 60% e resposta patológica maior de 80% (menos de 10% de células viáveis).  Outros dados importantes do trabalho – 17% dos pacientes T4 apresentaram pCR e 85% T3-T2. Os principais efeitos adversos foram prurido, tireoidite, hepatite e erupção cutânea.

                O terceiro trabalho para destacar no cenário de doença esôfago-gástrico é o SPOTLIGHT trial. Esse trabalho testou a eficácia de um anticorpo monoclonal, o Zolbetuximabe, anticorpo anticlaudina 18.2 em pacientes com alta expressão dessa proteína testada por imuno-histoquímica, associado a Folfox versus folfox isolado no cenário de primeira linha de doença metastática ou localmente avançada. A sobrevida livre de progressão foi de 10,61 versus 8,67 com HR: 0,75 com 49% dos pacientes vivos em 1 ano versus braço experimental. A sobrevida global mediana nesta primeira analise interina foi de 18,23 versus 15,5, com 21% dos pacientes vivos em 36 meses versus 9% para grupo controle, com HR: 0,75. Principais efeitos adversos foram náuseas, vômitos, anorexia, com eventos grau 3 ou mais sérios de 86% versus 77% para o braço experimental. Não houve aumento da incidência de reação transfusional. Outro dado interessante é que apenas 13% dos pacientes apresentaram expressão de PDL1 (CPS>= 5). Maioria pacientes eram baixo expressores. Os anticorpos anticlaudina surgem como nova opção de terapia alvo em tumores gástricos.

                Por último, ainda pensando em Câncer Gástrico e JEG, apresentamos os resultados do INTEGRATEIIA trial como novas opções terapêuticas/ novidades para esses tumores. Esse trabalho comparou regorafenibe versus placebo em câncer gástrico e JEG politratado. Uso de regorafenibe demonstrou melhora de sobrevida global em favor de regorafenibe – HR 0,70 – com taxa de sobrevida global em 01 ano de 19% versus 6%. Pacientes foram recrutados na Asia (maioria) e Australia.

Ainda relevante e não menos importante, mas tratando-se apenas de atualização, tivemos os dados de 3 anos do Checkmate 649. Após acompanhamento mediano de 36,2 meses, a sobrevida global mediana foi de 14,4 meses para braço de Nivo + quimioterapia, versus 11,1 meses para grupo controle para pacientes com CPS maior ou igual a 5. As taxas de sobrevida em 03 anos foram de 21% versus 10%. A taxa de resposta objetiva foi de 60% versus 45%. Na população geral, quimio e imuno apresentou redução do risco de morte de 21%. As taxas de sobrevida em 03 anos foram de 17% versus 10%. A taxa de resposta em toda população foi de 58% versus 46%. A atualização dos dados continua demonstra benefício da combinação de Imuno e quimioterapia no cenário de primeira linha de Adenocarcinoma gástrico.

 SITES CONSULTADOS:

  1. https://www.onclive.com/view/updated-checkmate-649-data-support-nivolumab-chemo-as-frontline-soc-in-advanced-gastric-gej-esophageal-cancer
  2. https://www.onclive.com/view/neoadjuvant-tremelimumab-durvalumab-elicits-responses-in-gastric-gej-adenocarcinoma
  3. www.twitter.com

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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