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Real Oncologia

A dor oncológica do câncer de Pâncreas – Mais uma opção terapêutica

Comentado por Dra. Cecília Arraes*

                O Câncer de Pâncreas é uma das neoplasias mais letais. É a quarta causa de morte e a segunda causa de morte nos tumores gastrointestinais, perdendo apenas para câncer de cólon. O tratamento cirúrgico é o tratamento padrão, mas apenas 15-20% dos casos são diagnosticados com tumores potencialmente ressecados. A doença irressecável ou metastática é marcada por grande morbidade por vários fatores, sendo um dos principais, a dor oncológica decorrente da infiltração do tumor no plexo celíaco. Além da dor propriamente dita, a anorexia e o medo de se alimentar permeia a evolução da doença, uma vez que frequentemente ocorre piora das dores durante as refeições.

                Como estratégia de controle desse sintoma contamos com a eficácia das quimioterapias, porém em virtude da gravidade, letalidade, resistência aos tratamentos e rápida progressão, é comum nos deparamos com o péssimo cenário de um paciente com progressão de doença e com piora da dor oncológica, tornando-o incapacitante e com grande perda de qualidade de vida, sem nenhuma linha de tratamento para oferecer.

                Pela seriedade do tema, trago hoje dados apresentados na ASCO GI 2023 – Congresso Americano de tumores gastrointestinais – referentes a um estudo que avaliou eficácia de irradiação do plexo celíaco com 1 fração de 25Gy de radiocirurgia. Dos 90 pacientes recrutados para o estudo de fase II, 53% apresentaram redução da intensidade da dor, diminuição do uso de opioides e melhora de qualidade de vida.

                As principais opções de abordagem da dor neste cenário são a alcoolização cirúrgica/ percutânea ou endoscópica. Na presença de contraindicação a procedimentos invasivos, o manejo dependia apenas de quimioterapia e controle álgico com medicações orais uma vez que a radioterapia com técnica convencional leva maior tempo para controle da dor e não era usada frequentemente como opção neste cenário.

Esse trabalho nos traz mais uma opção num contexto clínico bastante desafiador, uma vez que mostra eficácia do esquema com radiocirurgia do plexo celíaco.

                O desafio agora é em que momento indicar o procedimento. Seria mais prudente realiza-lo na escassez dos recursos, quando não houver mais linhas de tratamento que controlem a doença? Ou é mais adequado iniciar o tratamento com irradiação do plexo? Aguardemos a publicação do trabalho.

SITES CONSULTADOS:

  1. https://www.uptodate.com/contents/clinical-manifestations-diagnosis-and-staging-of-exocrine-pancreatic-cancer?search=cancer%20pancreas&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1
  2. www.twitter.com
  3.  https://www.uptodate.com/contents/supportive-care-of-the-patient-with-locally-advanced-or-metastatic-exocrine-pancreatic-cancer?search=cancer%20pancreas&topicRef=2501&source=see_link#H37086510

*Nossos médicos desenvolvem comentários sobre artigos relacionados à oncologia.

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